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Engenharia de prompt no uso real: do NTC ao Prompthen Bench — 28 modelos de IA, 7 engenharias, 2 idiomas

Este artigo tem duas partes. Na primeira, o estudo de compreensão de outubro de 2025 que validou o NTC em 6 modelos e 36 testes — e mostrou os modelos menores encurtando a distância para os grandes. Na segunda, o Prompthen Bench: uma semana de testes concluída em 22 de julho de 2026, mais uma execução retardatária que fechou no dia 27 — 18.375 respostas de IA avaliadas uma a uma contra gabarito, em 35 execuções completas com 28 modelos de 6 provedores, 7 engenharias de prompt e 2 idiomas. Sem hype. Só o que o uso real mostrou — números, limites e a conta aberta.

Capa do Fica a Dica — ilustração isométrica clara mostrando o mesmo modelo de IA colocado em ambientes e embalagens diferentes e rendendo diferente em cada um: a mesma peça central, envolta por sete invólucros de formatos distintos e dois idiomas, com alturas de resultado desiguais. Tema claro. Por Paulo Teixeira.

Existe uma frase que virou senso comum e que eu acho errada: a de que, se você quer que a IA acerte mais, precisa de um modelo maior. Trocar de plano, pagar mais caro, esperar a próxima geração. Quase todo mundo que trabalha com isso já engoliu essa lógica em algum momento.

Este texto é sobre o que aconteceu quando eu fui na direção oposta: em vez de trocar o modelo, mudar a forma como a informação chega até ele. A tese, do começo ao fim, é uma só — comunicação vale mais que tamanho de modelo —, e ela aparece de dois jeitos, medidos em dois momentos diferentes.

O artigo tem duas partes. A primeira é o estudo de compreensão de outubro de 2025, que validou uma engenharia de prompt que eu chamo de NTC em 6 modelos e 36 testes. A segunda é o Prompthen Bench: uma semana de testes que eu fechei em 22 de julho de 2026 — mais uma execução retardatária, presa por quota, que completou no dia 27 — foram 18.375 respostas de IA avaliadas uma a uma contra gabarito, somando 35 execuções completas de 525 células cada, com 28 modelos de 6 provedores, 7 engenharias de prompt e 2 idiomas. Até onde eu sei, é o maior estudo aberto de engenharia de prompt já feito no Brasil. A primeira parte já estava publicada; a segunda nasceu de uma pontinha solta da primeira que ficou me incomodando por quase um ano.

O essencial em nove frases

  • É o maior estudo aberto de engenharia de prompt já feito no Brasil. Até onde eu sei, nenhum outro benchmark brasileiro publicou tantas medições com dados abertos: 18.375 respostas de IA avaliadas uma a uma contra gabarito.
  • O ambiente importa mais que o formato. O mesmo modelo dentro de uma ferramenta CLI ou chamado por API Direta muda de patamar: o Sonnet 5 saltou +20,6 pontos só trocando de ambiente, sem mudar uma vírgula do prompt.
  • Thinking importa mais que tudo. Ligar o raciocínio no Gemini 3.5 Flash-Lite levou a acurácia de 6,5% para 48,2% — +41,7 pontos, o maior efeito isolado do estudo inteiro.
  • Português venceu o inglês no agregado — 48,56% contra 47,47% —, mas o placar por execução foi 16 a 17, com 2 empates: o PT ganha na soma porque seus ganhos são maiores, não porque acontecem mais vezes. Nos extremos, até +12,9 pontos num único modelo.
  • Entre os formatos do topo não houve diferença. O NTC fez 48,99% e o XML-PT 48,69% — oito acertos em 2.625, e o teste de McNemar dá p=0,76. O único contraste de formato que resiste estatisticamente é que o YAML em inglês ficou atrás. O que o NTC entrega de distinto é compactação: no prompt denso em instrução é o menor dos sete, com o XML precisando de até 67% mais caracteres.
  • Cinco modelos abertos couberam em 4,3 pontos. Em 2025 era um DeepSeek solitário; em 2026 é um pelotão brigando de igual para igual.
  • A alegação de eficiência do Google se confirmou nos nossos dados. O Gemini 3.6 Flash, lançado em 21 de julho e medido no dia 22, entregou +4,2 pontos de acurácia gastando 40% menos.
  • A família GPT-5.6 dominou o sistema que ninguém tinha visto antes. No VOLTGRID, um sistema inventado para o estudo, os GPT-5.6 ocuparam as seis primeiras posições — o sinal mais forte contra memorização.
  • Engenharia de prompt não morreu. A gente mediu. Trocar de idioma valeu mais do que uma geração inteira de modelo em vários casos.
  • Quando o acerto empata, quem decide é o token. Seis das sete engenharias couberam em 0,88 ponto de acurácia — mas o XML-PT precisa de 45% mais tokens que o MD-EN para chegar ao mesmo lugar. Engenharia de prompt é acertar e custar pouco; medir só a pontuação responde metade da pergunta.

Sumário

Parte 1 — A origem e o estudo de 2025

O problema de verdade não é o custo. É a comunicação.

Conversar com um modelo de IA em linguagem natural é caro de um jeito que a gente nem percebe. É verboso: você escreve três parágrafos para dizer algo que caberia numa linha. É ambíguo: a mesma frase pode ser lida de duas maneiras, e você só descobre qual delas o modelo escolheu quando a resposta chega torta. E é frágil: um detalhe fora do lugar e a instrução inteira muda de sentido.

O caminho que a maioria segue para lidar com isso é o da compressão. Encurta, resume, poda. O problema é que compressão, feita assim, é subtração. Você tira palavras e reza para que o sentido sobreviva. Às vezes sobrevive. Muitas vezes não — e o modelo passa a responder com base numa versão empobrecida do que você queria dizer.

A pergunta que ficou martelando foi outra. E se o gargalo não fosse a quantidade de palavras, mas a forma como a informação é entregue ao modelo? E se o problema não fosse falar demais, mas falar de um jeito que a IA precisa se esforçar para entender?

O objetivo nunca foi economizar tokens. O objetivo sempre foi fazer o modelo performar melhor. A economia de tokens veio como consequência da eficiência, não como meta — e essa distinção parece pequena, mas não é. Quando sua meta é gastar menos, você mede o sucesso pela conta no fim do mês, e a qualidade vira uma variável que você tenta não estragar. Quando sua meta é o modelo entender melhor, você mede o sucesso pelo acerto — e aí uma informação bem organizada acaba sendo, ao mesmo tempo, mais fácil de entender e mais enxuta. As duas coisas andam juntas quando você mira na compreensão. Só brigam quando você mira no corte.

O sistema que fez isso funcionar se chama NTC. A engenharia de prompt NTC é proprietária, criada por mim — o mesmo caminho que me levou ao método Prompthen. E chamo de engenharia de prompt sabendo que o termo ficou pequeno: na prática ela é tanto engenharia de prompt quanto engenharia de contexto, porque o que ela otimiza não é uma frase isolada — é a camada inteira de instrução que ocupa a janela de contexto do modelo. Por ser proprietária, o que compartilho são os resultados, o desempenho e a metodologia, não os detalhes internos. Mas por ser um estudo de caso, eu vou mais fundo no dado do que num post comum: abro a tabela, nomeio os modelos, mostro de onde veio cada número. Inclusive as limitações.

A jornada até o NTC

O NTC não nasceu pronto num dia, e eu não vou fingir que foi um lampejo. Ele é o fim de uma estrada longa de tentativa e erro — e, para contar direito, preciso voltar ao começo de 2025, quando eu procurava a melhor forma de incorporar a IA moderna aos projetos que eu já desenvolvia.

Na época, o jeito mais fácil de programar com IA eram os forks do VSCode preparados para isso. Os dois mais populares eram o Cursor e o Windsurf. Você assinava o plano menor e num instante já estava desenvolvendo. Era prático — mas, para mim, o desempenho era bom só em coisas pequenas. Em projeto longo, a forma como eles geriam a janela de contexto deteriorava tudo. E é justo dizer: gerir janela de contexto no início de 2025 não era fácil para ninguém; os modelos estavam começando a ficar bons de verdade naquele momento.

O passo que mudou o meu jeito de trabalhar foi sair do ambiente pronto e ir para o RooCode, direto no VSCode — um derivado do Cline. Foi ali que comecei a usar agentes de IA com o system prompt e as instruções separados por tipo de tarefa: um para planejar, um para desenvolver, um para testar. Eu pegava a base e reescrevia os prompts do meu jeito. Foi trabalhando assim, com tarefas atômicas, que senti na prática algo que carrego até hoje: é muito mais eficiente ter um agente principal, com acesso a toda a janela de contexto, delegando tarefas menores que um outro agente executa numa janela separada, sem entupir a do coordenador. É uma evolução exata disso que eu faço hoje, com coordenadores e sub-agentes especialistas.

Só que junto com a vantagem vinha um problema grande, e é dele que nasce toda esta história. Aquelas instruções separadas por tarefa eram densas de um jeito absurdo. O RooCode exigia uma montanha de texto no system prompt. Usar um modelo com janela abaixo de 200 mil tokens era sofrido: em poucos vai-e-vem a janela já estava no fim. Por isso eu vivia no Gemini, pela janela grande. E o custo doía: teve semana em que gastei uns 10 mil reais só de API do Gemini; no Claude, mais caro ainda. Não existia o plano MAX de hoje; era tudo API, na conta aberta.

Então eu me sentava para entender cada instrução e reescrever, tirando o que não servia, somando regra e protocolo. Virou um vai-e-vem sem fim — eu enxugava, gastava menos, e com o tempo inflava tudo de novo. Uma batalha. Mas foi nessa batalha, repetida centenas de vezes, que fui aprendendo na prática engenharia de prompt e de contexto. Quem começou com os modelos de 2023 lembra: antes de eles terem o "pensamento" integrado, a gente precisava forçar a reflexão na base da instrução.

E aqui entra uma coisa que levo para a vida: a repetição é o que te torna melhor. Aqueles milhares de reais e de tokens me obrigaram a repetir a otimização tantas vezes que virou método. Eu criava o mesmo projeto centenas de vezes, comparando resultado, caçando a melhor forma de instruir — não só no Gemini e no Claude, mas nos gratuitos, nos da China, nos mais baratos. E descobri uma coisa que quase ninguém diz em voz alta:

Se você perguntar a um modelo de IA como instruí-lo melhor, ele vai repetir o que aprendeu a dizer — escreva em inglês, organize em markdown. Mas existem coisas que funcionam na IA que nem ela mesma sabe. A IA não sabe do que ela não sabe. Você só descobre testando à exaustão.

Aqueles system prompts gigantescos foram encolhendo: de 40 mil tokens para 35, para 30. Mas a redução nunca foi o objetivo em si. O objetivo era o modelo entender melhor. Foi essa engenharia em busca de clareza que, no segundo semestre de 2025, deu origem ao NTC.

E o nascimento foi surpreendente. Eu estava trabalhando noite adentro, comparando prompts que criei para gerar páginas web. Tinha umas dez versões do mesmo system prompt na mesa. E uma delas era estranha. Meu agente planejador dizia que não ia funcionar — que eu teria de ensinar o que aquelas coisas esquisitas significavam. Só que nos testes ela sempre performava melhor. Naquela noite eu resolvi dissecar. Quebrei os testes em fragmentos, comparei parte por parte — e foi ali que montei a primeira versão do que o próprio agente ajudou a nomear como NTC. Funcionou tão bem que eu não acreditei; achei que ele tinha pego uma técnica pronta. Foi quando ele me disse, e eu guardo a frase:

"Não, Paulo, o NTC não existe. Foi a partir desses nossos testes exaustivos — você criou isto agora, nesta janela de contexto onde estamos. Não existe NTC nenhum. Foi um nome que inventei a partir do que testamos. É algo que criamos aqui."

Não conto isso para me gabar. Achei uma coisa que, para o meu uso, funcionava — e funcionava especialmente bem nos system prompts longos, que eram justamente a minha dor. Aumentava a clareza a ponto de os modelos entenderem sem treino prévio. E a economia vinha junto: em prompts longos, eu chegava a 70, às vezes 80% de redução de tokens. No estudo controlado que mostro adiante, medido token a token, o número que aparece é uma média de 56%, com o melhor caso em 73,7%. Um é a minha vivência com os prompts mais inchados; o outro é o experimento limpo. Os dois são verdade.

Foi depois de meses usando o NTC no dia a dia que resolvi fazer a bateria de testes que esta primeira parte conta — em outubro de 2025. Não foi o nascimento do NTC; foi a validação do que eu já tinha comprovado na prática. Era para eu ter publicado ainda em outubro, mas a correria fez esse artigo levar quase um ano para sair.

O problema que o NTC resolve

Antes de ir para os números, vale nomear direto as três dores que me levaram até aqui. Se alguma delas é a sua, o resto do artigo faz muito mais sentido.

Quando o system prompt cresce e a janela de contexto vira o gargalo

Você monta um agente sério e a camada de instrução incha: regras, protocolos, definições de papel, exemplos, o que fazer e o que não fazer. No meu caso os system prompts do RooCode chegaram a 40 mil tokens. Com um modelo de janela abaixo de 200 mil, bastavam poucos vai-e-vem para a janela encher — e aí você está pagando para o modelo carregar a própria instrução em vez de trabalhar no problema.

O reflexo natural é cortar texto. E cortar texto é subtrair sentido: você tira palavras e torce para que a intenção sobreviva. Muitas vezes não sobrevive, e o modelo passa a responder com base numa versão empobrecida do que você queria dizer.

O caminho que funcionou para mim foi outro: reorganizar em vez de encurtar. Isso é menos "escrever um prompt melhor" e mais engenharia de contexto: decidir o que entra na janela do modelo, em que ordem e com que estrutura, para que a mesma informação seja entendida com menos esforço — e, como consequência, ocupe menos espaço. Foi assim que aqueles 40 mil tokens viraram 30, depois 20, depois 15, sem perder regra nenhuma.

Quando a IA começa a ignorar regras no meio da tarefa

Essa é a dor que mais irrita, porque parece falha de capacidade do modelo e muitas vezes é falha de comunicação. Você escreveu a regra, ela está lá no prompt, e mesmo assim o agente atropela.

A parte contraintuitiva que os testes mostraram: estrutura não atrapalha, estrutura ajuda. Quando peguei a mesma informação e organizei em camadas — o principal separado do detalhe —, a compreensão média dos modelos saltou de 75% para 95%, um ganho de 20 pontos sem trocar de modelo e sem acrescentar uma palavra de conteúdo. O inimigo da compreensão não é a densidade da informação; é a bagunça.

E há um efeito colateral que me surpreendeu: informação bem estruturada é mais resistente a erro. Injetei 47 erros de propósito numa especificação e a compreensão caiu só 6 pontos — nenhum dos 6 modelos sequer apontou que havia erros. O modelo lê a intenção, não a letra, desde que a intenção esteja organizada.

Quando a conta da API sobe e o resultado não acompanha

Teve semana em que gastei 10 mil reais só de API do Gemini — no Claude, mais caro ainda. Não existia plano de assinatura como hoje; era tudo API, na conta aberta. E o pior não era o valor: era saber que boa parte daquilo estava sendo gasta para o modelo reler instrução, não para produzir trabalho.

Aqui está a distinção que mudou tudo para mim: comprimir é diferente de clarear. Comprimir paga a economia com um pedaço da qualidade. Clarear faz as duas coisas subirem juntas — o modelo entende melhor e o texto ocupa menos. Medido em 93 pares reais de produção, token a token, a redução foi de 56,45% no agregado, chegando a 73,7% no melhor caso, com a compreensão subindo no mesmo movimento.

Não é mágica e tem limite: no Prompthen Bench, que usa prompts curtos e cheios de dado bruto, essa vantagem encolhe — em um dos grupos o NTC chega a custar mais que o Markdown. A compactação cresce com a densidade de instrução, e é por isso que ela brilha em system prompt e some em grade numérica.

Como validamos em 2025: 6 modelos, 36 testes

A montagem do teste foi deliberadamente hostil ao NTC. A ideia era não facilitar.

Pegamos 6 modelos de IA de 3 empresas diferentes — Google, OpenAI e Anthropic — de tamanhos bem variados. Rodamos 5 experimentos de complexidade crescente, mas o quinto teve duas fases (um controle e uma versão com erros injetados), o que dá 6 rodadas no total. Seis rodadas vezes seis modelos são 36 testes.

O detalhe cruel: cada especificação foi enviada sem nenhuma explicação prévia. Zero system prompt. Só a especificação em NTC e uma pergunta seca — o que isso representa? Se o modelo não entendesse de imediato, teríamos que admitir que o NTC só funciona para quem já foi treinado nele.

Um fato que registro de uma vez: a pontuação de compreensão é uma avaliação criteriosa numa escala própria de 0 a 100%, com uma medição por modelo por experimento (n=1 em cada célula), e as transcrições brutas desses 36 testes não foram salvas — ficaram as tabelas-resumo. Levo os números a sério e digo de onde eles vêm.

barras horizontais de compreensão média por modelo (média dos 5 experimentos): Gemini 2.5 Pro 98,5%, GPT-4o 95,2%, GPT-4o-mini 91,8%, Gemini 2.5 Flash 91,2%, Haiku 3.5 88,3%, Sonnet 4.5 80,8% — os 6 modelos das 3 empresas, do maior para o menor, mostrando os pequenos se aproximando dos grandes apesar da diferença de tamanho
barras horizontais de compreensão média por modelo (média dos 5 experimentos): Gemini 2.5 Pro 98,5%, GPT-4o 95,2%, GPT-4o-mini 91,8%, Gemini 2.5 Flash 91,2%, Haiku 3.5 88,3%, Sonnet 4.5 80,8% — os 6 modelos das 3 empresas, do maior para o menor, mostrando os pequenos se aproximando dos grandes apesar da diferença de tamanho

O primeiro resultado vale como frase solta:

Em 36 testes com 6 modelos de 3 empresas diferentes, sem uma linha de explicação prévia, a compreensão média do NTC ficou em 91%.

Nenhum dos 36 testes precisou de manual. O NTC é entendido de imediato — e isso não é detalhe estético, é a diferença entre uma ferramenta que funciona em qualquer lugar e uma que exige setup toda vez.

São modelos da era 2025, os que estavam disponíveis quando montei o teste. Esta é uma validação de outubro de 2025, com os modelos daquela época. O que não envelhece é o padrão que os números revelam: estrutura sobe a compreensão, e o modelo pequeno se aproxima do grande.

O que descobrimos em 2025

Estrutura não atrapalha. Estrutura ajuda.

Essa foi a descoberta que mais mexeu com a minha cabeça, porque contraria a intuição.

O primeiro experimento testou um formato mais "plano" — a informação toda no mesmo nível. A média dos 6 modelos ficou em 75%, com uma dispersão enorme: o melhor cravou 95%, o pior derrapou em 30%. No segundo experimento, organizamos a mesma informação de forma hierárquica — com camadas, o principal separado do detalhe. E a compreensão média saltou para 95%. Um ganho de +20 pontos, na mesma informação, só arrumando a casa.

curva de compreensão média em função da estrutura, ao longo dos experimentos: 75% (Exp1, formato plano) → 95% (Exp2, hierárquico, +20 pontos) → 97% (Exp3, pico) → 93% (Exp4, recursão) → 96% (Exp5A, controle), evidenciando que estruturar melhora em vez de piorar
curva de compreensão média em função da estrutura, ao longo dos experimentos: 75% (Exp1, formato plano) → 95% (Exp2, hierárquico, +20 pontos) → 97% (Exp3, pico) → 93% (Exp4, recursão) → 96% (Exp5A, controle), evidenciando que estruturar melhora em vez de piorar

A progressão completa das rodadas, sempre pela média dos 6 modelos, foi esta:

  • Experimento 1 — formato plano: 75% (variando de 30% a 95%).
  • Experimento 2 — a mesma informação, hierárquica: 95% (+20 pontos).
  • Experimento 3 — densidade máxima de estrutura: 97%, o pico.
  • Experimento 4 — estrutura recursiva: 93%. Aqui já dá para ver o platô.
  • Experimento 5A — caso de controle, limpo: 96%.
  • Experimento 5B — o mesmo caso, com 47 erros injetados: 90% (a rodada de robustez).

A leitura é dupla. De um lado, derruba a intuição: complexidade bem estruturada não afunda a compreensão, ela sobe. De outro, mostra o limite — do Exp3 para o Exp4 o ganho estabiliza e começa a ceder. O NTC tem um regime onde brilha, e ele não escala para o infinito.

Complexidade bem estruturada ajuda a IA a entender, em vez de atrapalhar. O inimigo da compreensão não é a densidade da informação — é a bagunça.

Robustez: o comportamento de auto-cura

Foi o par 5A/5B. Peguei a especificação limpa do controle (que fez 96%) e introduzi 47 erros propositais espalhados pelo texto. A compreensão média caiu de 96% para 90% — 6 pontos diante de 47 erros deliberados, uma degradação relativa de cerca de 6,5%. E a distribuição por modelo revela o achado: o Haiku 3.5, um dos menores, degradou só 5,6%, enquanto o GPT-4o, um dos grandes, caiu 10,2%. O pequeno aguentou o tranco melhor.

O mais notável é que nenhum dos 6 modelos sequer apontou que havia erros. Todos entenderam o sentido e seguiram em frente — como você lê um texto com erros de digitação sem perceber, porque seu cérebro conserta na hora. O modelo lê a intenção, não a letra.

robustez a erros — 96% em condições limpas (Exp5A) caindo para 90% com 47 erros injetados (Exp5B), 6 pontos a menos (degradação relativa de ~6,5%), com destaque de que nenhum dos 6 modelos sinalizou os erros e de que o Haiku 3.5 (5,6%) degradou menos que o GPT-4o (10,2%)
robustez a erros — 96% em condições limpas (Exp5A) caindo para 90% com 47 erros injetados (Exp5B), 6 pontos a menos (degradação relativa de ~6,5%), com destaque de que nenhum dos 6 modelos sinalizou os erros e de que o Haiku 3.5 (5,6%) degradou menos que o GPT-4o (10,2%)

Modelo pequeno pode render como um grande? O achado que muda o jogo

Se você lê só uma parte desta primeira metade, que seja esta.

Quando quebramos os resultados por modelo, apareceu o padrão que sustenta tudo. Os modelos menores e mais baratos se aproximaram dos grandes quando a informação foi bem estruturada com NTC. Repare na palavra: se aproximaram. Não empataram com o topo — encurtaram a distância, e muito.

O exemplo mais forte tem nome. No primeiro experimento, o Sonnet 4.5 foi o pior de todos: 30% de compreensão. No segundo, com a mesma informação reorganizada com NTC, ele foi a 85%. Um salto de +55 pontos. Não trocamos o modelo. Mudamos só como a informação chegava até ele.

Agora a parte que faço questão de não exagerar. O Sonnet se aproximou do pelotão de cima — mas o topo, o Gemini 2.5 Pro, tinha média 98,5%. O pequeno encurtou a distância; ele não igualou o grande. Essa diferença importa: o NTC não transforma um modelo pequeno num grande. Ele faz o pequeno render muito mais do que rendia — o suficiente, na maior parte do trabalho, para você não precisar do grande.

antes/depois — o Sonnet 4.5 indo de 30% (Exp1, plano) para 85% (Exp2, hierárquico) só com a informação melhor estruturada, encurtando a distância para o topo (Gemini 2.5 Pro em 98,5%) sem igualá-lo; ao lado, o Haiku 3.5 mostrando degradação menor sob erros (5,6%) do que o GPT-4o (10,2%)
antes/depois — o Sonnet 4.5 indo de 30% (Exp1, plano) para 85% (Exp2, hierárquico) só com a informação melhor estruturada, encurtando a distância para o topo (Gemini 2.5 Pro em 98,5%) sem igualá-lo; ao lado, o Haiku 3.5 mostrando degradação menor sob erros (5,6%) do que o GPT-4o (10,2%)

O NTC não pede um modelo melhor. Ele faz o modelo que você já tem render mais — só mudando a forma como você fala com ele. O pequeno não vira o grande; ele encurta a distância a ponto de dar conta do trabalho.

Dá para cortar 56% dos tokens sem perder qualidade? Medimos em 93 pares reais

Chegamos na parte que todo mundo espera que seja o começo — e que para nós é o fim da história.

A economia não veio de estimativa nem de um caso escolhido a dedo: veio de 93 pares reais de produção — os arquivos que o nosso gateway serve todo dia, cada um numa versão original e numa versão em NTC, contados token a token com o tokenizador cl100k. O enquadramento do corpus: esses 93 pares são system-prompts, descrições de ferramentas e catálogos de skills no estilo Anthropic — instrução técnica densa, o terreno em que o NTC mais brilha.

Os números, com a conta aberta:

  • No agregado, os 93 pares somavam 418.158 tokens na versão original e 182.121 tokens em NTC — uma redução de 56,45%.
  • Por par, a mediana de redução foi 55,72%. O melhor caso chegou a 73,7%. E o pior foi −3,3%: um único par ficou levemente maior em NTC. Aconteceu, está na conta.
  • Por tipo de conteúdo, os catálogos de skills reduziram mais (58,18%) que as descrições de ferramentas (45,32%).
  • Dois exemplos concretos: a descrição da ferramenta AskUserQuestion foi de 237 para 186 tokens (21,5% menos); e o melhor par, um catálogo de skills, foi de 7.834 para 2.063 tokens (73,7% menos).

Dá para dizer, sem inflar, que o NTC entrega em torno de 56% de redução agregada, chegando a ~74% no melhor caso, medido num corpus real e verificável.

A economia de tokens do NTC é consequência da eficiência, não o objetivo dela. E ela não custou qualidade: a compreensão subiu e o custo caiu no mesmo movimento.

Como garantir que a compressão não quebre a instrução: o portão que roda em produção

Tem uma diferença enorme entre um número bonito num relatório e um número que precisa se provar todo dia. O NTC é a camada de compressão que roda dentro de dois sistemas que construí: é o cache interno do gateway de IA que uso em produção e a etapa que densifica a memória do Exocortex, a minha memória permanente em camadas. Ele não é uma demonstração — é infraestrutura, acionada centenas de vezes por dia.

E toda compressão que ele serve passa por um portão automático. A regra é dura: a compressão precisa ficar entre 20% e 80% de redução — nem de menos nem de mais — e preservar pelo menos 90% das diretivas do texto original. Se falhar em qualquer um dos dois critérios, é rejeitada.

Dá para gerar NTC de forma confiável?

O primeiro estudo respondeu: a IA entende NTC? Sim. Ficou uma segunda pergunta: dá para a IA gerar NTC de forma confiável? Esse estudo separado teve as transcrições salvas, então é mais reproduzível.

Foram 3 modelos Gemini, 3 casos cada, num total de 9 traduções de linguagem natural para NTC. A qualidade média ficou em 92%, 100% do código Python foi preservado literalmente e houve zero perguntas de esclarecimento. Mas em 22% dos testes (2 dos 9), o modelo inventou propriedades que não estavam no input. Numa tradução, inventar é um defeito grave. Foi ele que me levou a um v2 do prompt do tradutor — o v2 é do prompt que instrui a IA a traduzir, não do NTC. No reteste, a qualidade subiu de 9,2 para 9,4.

Parte 2 — O Prompthen Bench

A ponte: a rodada incompleta que virou o Bench

Na primeira versão deste artigo, publicada em julho de 2026, eu contei que tinha testado o NTC num benchmark de raciocínio puro — o ARC-AGI-2, uma bateria de quebra-cabeças visuais e lógicos — e que nem cheguei a completar a rodada, porque ficou claro cedo que aquele não era o terreno do NTC. Deixei registrado como exploração, sem cravar número.

Aquela rodada incompleta ficou me incomodando. Um teste que eu comecei e não terminei é um pedaço de curiosidade que não descansa. Em julho de 2026 eu voltei a ele — e ele virou o maior estudo que já fiz.

A pergunta que o Prompthen Bench responde é direta: formato de prompt muda o acerto em raciocínio duro? E o que mais muda? Se muda, quanto? Se não muda, o que decide? A primeira parte deste artigo mediu compreensão — se a IA entende. Esta segunda parte mede acerto — se a IA resolve. São coisas diferentes, e essa diferença vai voltar mais de uma vez daqui para frente.

Por que criamos nosso próprio teste

Os benchmarks públicos estão saturados. Modelo nenhum guarda segredo do que vai cair, porque tudo já foi visto no treino. Um teste que o modelo já conhece não mede raciocínio; mede memória. Eu queria o contrário: um teste difícil de propósito, com puzzles que o modelo tivesse de resolver na hora, sem atalho de memorização.

Difícil de verdade. O puzzle mais duro do estudo — uma cascata de regras que eu batizo abaixo — teve 0% de acerto em 35 execuções: ninguém, nenhum modelo, em nenhum formato, acertou uma vez sequer. E o teto do estudo inteiro, o melhor modelo na melhor configuração, ficou em 77,5%. Quando o topo não passa de 77,5% e o fundo é zero absoluto, você sabe que o teste tem espaço para separar quem raciocina de quem chuta.

A escala fechou assim: 35 execuções de 525 células cada — 18.375 respostas avaliadas —, 28 modelos distintos, 6 provedores, custo total de cerca de $900, uma semana de execução, concluída em 22 de julho de 2026 — com uma execução retardatária, presa por quota, completando em 27 de julho.

O que o Prompthen Bench tem de diferente

Quatro escolhas separam esse estudo de um benchmark comum.

Verificação determinística. Cada resposta é comparada, caractere a caractere, contra um gabarito calculado por código. Não há juiz-modelo, não há avaliação subjetiva, não há "quase certo". Ou o modelo produziu a sequência exata, ou errou. Isso mata a discussão sobre critério.

Um sistema que nenhum modelo pode ter visto no treino. Um dos três grupos de tarefas é o VOLTGRID — um sistema que eu inventei para o estudo, com uma regra oculta que não existia em lugar nenhum da internet antes desta publicação. É o desenho que minimiza contaminação por dados de treino, e os resultados dele são os que mais confio.

Os mesmos dados em 7 engenharias × 2 idiomas. O mesmo puzzle foi entregue em sete embalagens diferentes — MD, YAML e XML em inglês e português, mais o NTC — com os dados numéricos byte-idênticos em todas e as instruções semanticamente equivalentes em cada idioma. A única coisa que muda entre uma variante e outra é a forma. Assim, qualquer diferença de acerto é do formato ou do idioma, não do conteúdo.

Os mesmos modelos em API Direta e em Harness CLI. Vários modelos foram testados por duas vias: chamados diretamente pela API do provedor e rodando dentro de uma ferramenta de linha de comando (Claude Code, Codex CLI, grok CLI, qwen CLI). Isso mede o efeito do ambiente como pacote completo — system prompt, ferramentas e configurações que cada CLI traz —, que é exatamente como as pessoas usam esses modelos no dia a dia. E o efeito foi grande.

Os 90 prompts das engenharias abertas e os resultados estão públicos no GitHub: github.com/pauloctxr/prompthen-bench — incluindo o per_cell.csv com as 18.375 células individuais (execução × grupo × puzzle × engenharia × idioma × repetição × acerto), que permite a qualquer pessoa recomputar cada número deste artigo e rodar as próprias análises estatísticas. Vai também o ablation.csv, com os quatro runs do experimento de thinking (os dois modelos Lite, com raciocínio ligado e desligado), separado do ranking porque configuração não é competidor. As seis engenharias abertas estão inteiras lá; o NTC, por ser proprietário, aparece pelos resultados, não pela notação. Os gabaritos ficam retidos para o benchmark continuar utilizável com modelos futuros.

Os três grupos: GRID, CASCADE, VOLTGRID

O estudo tem três famílias de tarefas de raciocínio indutivo. Cada uma testa um músculo diferente, e a dificuldade é do puzzle, não do grupo — há puzzles fáceis e impossíveis dentro de cada um.

GRID é indução visual em grades, no estilo do ARC-AGI-2: o modelo vê alguns pares de grade-de-entrada para grade-de-saída, precisa inferir a regra oculta que transforma uma na outra e aplicá-la a um caso novo. É pattern-matching visual sob pressão.

CASCADE é cascata de regras: três transformações ocultas — Alpha, Beta, Gamma — cada uma convertendo uma sequência de inteiros em outra. O modelo induz as três regras a partir de exemplos e as compõe em cadeia. Foi aqui que mora o puzzle de 0%.

VOLTGRID é o sistema inventado: uma especificação de um sistema fictício com uma regra oculta, alguns traces de execução e a tarefa de ler tudo, inferir a regra e simular o resultado. É o grupo que nenhum modelo pode ter memorizado — e, não por acaso, o que mais separou os modelos.

A dificuldade real de cada puzzle só aparece quando você olha a média de todas as 1.225 respostas que ele recebeu (35 execuções × 7 engenharias × 5 repetições). O intervalo vai de 83,8% a zero absoluto:

# Puzzle Grupo Acertos Acurácia média
🥇 1 p0 CASCADE 1027/1225 83,8%
🥈 2 p3 CASCADE 971/1225 79,3%
🥉 3 p4 CASCADE 930/1225 75,9%
4 p2 VOLTGRID 907/1225 74,0%
5 p0 VOLTGRID 880/1225 71,8%
6 p0 GRID 866/1225 70,7%
7 p4 GRID 779/1225 63,6%
8 p1 GRID 764/1225 62,4%
9 p1 CASCADE 420/1225 34,3%
10 p1 VOLTGRID 412/1225 33,6%
11 p3 GRID 299/1225 24,4%
12 p4 VOLTGRID 249/1225 20,3%
13 p3 VOLTGRID 226/1225 18,4%
14 p2 GRID 118/1225 9,6%
15 p2 CASCADE 0/1225 0,0%

Repare que os três grupos aparecem espalhados por toda a tabela: o CASCADE tem o puzzle mais fácil (p0, 83,8%) e o único impossível (p2, 0%). Dificuldade é propriedade do puzzle, não do grupo — e é por isso que eu não trato "GRID" como sinônimo de difícil ou fácil.

As sete engenharias, lado a lado

Falar em "sete formatos" fica abstrato até você ver a mesma tarefa nas embalagens diferentes. Aqui está o começo do mesmo puzzle CASCADE, o mais fácil do grupo, em três engenharias. O conteúdo — as regras, os exemplos, a entrada de teste — é byte a byte o mesmo. Só a estrutura muda.

Em MD (markdown, inglês), a tarefa vira um documento com títulos e listas:

# Task
Three hidden transformation rules — Alpha, Beta, Gamma — each turn a
sequence of integers into another sequence. Infer each rule from its examples.
## Rule examples
### Alpha
- `[8,3,9] -> [11,12,9]`
- `[9,4,5,3,1,4] -> [13,9,8,4,5,4]`

Em YAML (inglês), a mesma tarefa vira uma estrutura de chaves e listas aninhadas, mais compacta:

task: Infer three hidden rules (Alpha, Beta, Gamma) from their examples,
  then apply them in chain to the test input.
rule_examples:
  Alpha:
    - "[8,3,9] -> [11,12,9]"
    - "[9,4,5,3,1,4] -> [13,9,8,4,5,4]"

Em XML (português), a mesma tarefa vira uma árvore de tags nomeadas — a mais verbosa das três:

<tarefa>Infira tres regras ocultas (Alpha, Beta, Gamma) a partir de seus
exemplos, depois aplique-as em cadeia a entrada de teste.</tarefa>
<exemplos_das_regras>
  <regra nome="Alpha">
    <exemplo>[8,3,9] -> [11,12,9]</exemplo>
    <exemplo>[9,4,5,3,1,4] -> [13,9,8,4,5,4]</exemplo>

Repare no que muda só de olhar: a mesma regra Alpha, o mesmo exemplo [8,3,9] -> [11,12,9], ocupa uma linha de lista no MD, uma linha entre aspas no YAML e uma tag <exemplo> inteira no XML. A informação é idêntica; o volume de estrutura ao redor dela, não. O NTC é a sétima embalagem — a que carrega a mesma informação com a menor quantidade de estrutura ao redor, especialmente quando a densidade de instrução cresce. Ele entra nos rankings como qualquer outra, medido pelo acerto.

Ranking GRID

Indução visual em grades. Os dez primeiros, por acurácia no grupo:

# Modelo Ambiente Acc GRID
🥇 1 GPT-5.6 terra codex CLI 68,0%
🥈 2 Gemini 3 Flash API Direta 66,3%
🥉 3 Gemini 3.5 Flash-Lite (think) API Direta 66,3%
4 GPT-5.6 sol codex CLI 65,7%
5 GPT-5.6 terra API Direta 64,0%
6 Gemini 3.1 Pro API Direta 62,9%
7 Gemini 3.5 Flash API Direta 62,9%
8 Gemini 3.6 Flash API Direta 61,7%
9 DeepSeek v4-flash API Direta 61,1%
10 GPT-5.6 luna codex CLI 60,6%

As 35 execuções completas no GRID:

# Modelo Ambiente Acertos Acurácia
🥇 1 GPT-5.6 terra codex CLI 119/175 68,0%
🥈 2 Gemini 3 Flash API Direta 116/175 66,3%
🥉 3 Gemini 3.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 116/175 66,3%
4 GPT-5.6 sol codex CLI 115/175 65,7%
5 GPT-5.6 terra API Direta 112/175 64,0%
6 Gemini 3.1 Pro API Direta 110/175 62,9%
7 Gemini 3.5 Flash API Direta 110/175 62,9%
8 Gemini 3.6 Flash API Direta 108/175 61,7%
9 DeepSeek v4-flash API Direta 107/175 61,1%
10 GPT-5.6 luna codex CLI 106/175 60,6%
11 DeepSeek v4-pro API Direta 105/175 60,0%
12 Fable 5 Claude Code 105/175 60,0%
13 GPT-5.4 mini codex CLI 105/175 60,0%
14 Kimi K2.6 API Direta 102/175 58,3%
15 Grok 4.5 grok CLI 101/175 57,7%
16 GPT-5.6 sol API Direta 97/175 55,4%
17 GPT-5.5 codex CLI 95/175 54,3%
18 Kimi K3 API Direta 95/175 54,3%
19 Sonnet 5 Claude Code 95/175 54,3%
20 GPT-5.6 luna API Direta 92/175 52,6%
21 Grok 4.3 API Direta 83/175 47,4%
22 Opus 4.8 Claude Code 81/175 46,3%
23 Qwen3.8-max qwen CLI 81/175 46,3%
24 GLM 5.2 API Direta 71/175 40,6%
25 GPT-5.3 Codex Spark codex CLI 63/175 36,0%
26 Gemini 2.5 Pro (run 1) API Direta 57/175 32,6%
27 Gemini 2.5 Pro (run 2) API Direta 57/175 32,6%
28 Opus 4.8 API Direta 40/175 22,9%
29 MiniMax M3 API Direta 37/175 21,1%
30 Gemini 3.1 Flash-Lite API Direta 35/175 20,0%
31 MiniMax M3 Claude Code 28/175 16,0%
32 Haiku 4.5 API Direta 27/175 15,4%
33 Sonnet 5 API Direta 26/175 14,9%
34 Opus 4.6 API Direta 19/175 10,9%
35 Gemini 2.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 10/175 5,7%

A leitura mais interessante aqui é o Gemini 3.5 Flash-Lite empatado em segundo com o Gemini 3 Flash, ambos com 66,3% — e o Lite é um modelo minúsculo de custo baixíssimo. A indução visual não escala com o tamanho do modelo do jeito que a gente esperaria: um Lite bem configurado (com thinking, como veremos adiante) segurou o topo de um grupo que muita gente grande não dominou. Repare também que cinco das dez posições são da família Gemini. GRID recompensa o padrão certo, não a força bruta.

Ranking CASCADE

Cascata de regras compostas em cadeia. Os dez primeiros:

# Modelo Ambiente Acc CASCADE
🥇 1 Gemini 3.1 Pro API Direta 80,0%
🥈 2 GPT-5.6 sol codex CLI 77,1%
🥉 3 Grok 4.5 grok CLI 77,1%
4 Gemini 3.5 Flash API Direta 75,4%
5 Gemini 3.6 Flash API Direta 75,4%
6 GPT-5.6 sol API Direta 74,3%
7 GPT-5.6 luna API Direta 72,0%
8 Opus 4.8 API Direta 70,9%
9 GPT-5.5 codex CLI 70,3%
10 GPT-5.6 terra API Direta 68,6%

As 35 execuções completas no CASCADE:

# Modelo Ambiente Acertos Acurácia
🥇 1 Gemini 3.1 Pro API Direta 140/175 80,0%
🥈 2 GPT-5.6 sol codex CLI 135/175 77,1%
🥉 3 Grok 4.5 grok CLI 135/175 77,1%
4 Gemini 3.5 Flash API Direta 132/175 75,4%
5 Gemini 3.6 Flash API Direta 132/175 75,4%
6 GPT-5.6 sol API Direta 130/175 74,3%
7 GPT-5.6 luna API Direta 126/175 72,0%
8 Opus 4.8 API Direta 124/175 70,9%
9 GPT-5.5 codex CLI 123/175 70,3%
10 GPT-5.6 terra API Direta 120/175 68,6%
11 Opus 4.8 Claude Code 120/175 68,6%
12 GPT-5.6 luna codex CLI 117/175 66,9%
13 Qwen3.8-max qwen CLI 110/175 62,9%
14 Fable 5 Claude Code 108/175 61,7%
15 GLM 5.2 API Direta 107/175 61,1%
16 GPT-5.6 terra codex CLI 107/175 61,1%
17 Kimi K3 API Direta 107/175 61,1%
18 Gemini 3 Flash API Direta 103/175 58,9%
19 DeepSeek v4-pro API Direta 100/175 57,1%
20 GPT-5.4 mini codex CLI 100/175 57,1%
21 Sonnet 5 Claude Code 99/175 56,6%
22 Gemini 3.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 94/175 53,7%
23 Sonnet 5 API Direta 86/175 49,1%
24 Kimi K2.6 API Direta 84/175 48,0%
25 Opus 4.6 API Direta 80/175 45,7%
26 DeepSeek v4-flash API Direta 76/175 43,4%
27 MiniMax M3 API Direta 74/175 42,3%
28 Grok 4.3 API Direta 67/175 38,3%
29 Gemini 2.5 Pro (run 2) API Direta 64/175 36,6%
30 Gemini 2.5 Pro (run 1) API Direta 63/175 36,0%
31 GPT-5.3 Codex Spark codex CLI 57/175 32,6%
32 MiniMax M3 Claude Code 57/175 32,6%
33 Haiku 4.5 API Direta 48/175 27,4%
34 Gemini 2.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 22/175 12,6%
35 Gemini 3.1 Flash-Lite API Direta 1/175 0,6%

O Gemini 3.1 Pro lidera com 80,0%, e o grupo muda a hierarquia: o Grok 4.5 sobe ao pódio (77,1%, empatado com o sol) e os Gemini Flash aparecem fortes no meio da tabela. CASCADE premia raciocínio composicional — segurar três regras na cabeça e encaixá-las na ordem certa — e aí modelos que não lideram os outros grupos ganham posição. É também o grupo onde vive o puzzle de 0%: uma cascata específica que nenhum modelo, em nenhuma configuração, resolveu.

Ranking VOLTGRID

O sistema inventado, que nenhum modelo pode ter visto no treino. Os dez primeiros:

# Modelo Ambiente Acc VOLTGRID
🥇 1 GPT-5.6 sol codex CLI 89,7%
🥈 2 GPT-5.6 terra API Direta 86,3%
🥉 3 GPT-5.6 luna API Direta 84,0%
4 GPT-5.6 sol API Direta 84,0%
5 GPT-5.6 terra codex CLI 80,0%
6 GPT-5.6 luna codex CLI 64,6%
7 GPT-5.4 mini codex CLI 62,9%
8 Kimi K2.6 API Direta 59,4%
9 Fable 5 Claude Code 57,1%
10 GLM 5.2 API Direta 55,4%

As 35 execuções completas no VOLTGRID:

# Modelo Ambiente Acertos Acurácia
🥇 1 GPT-5.6 sol codex CLI 157/175 89,7%
🥈 2 GPT-5.6 terra API Direta 151/175 86,3%
🥉 3 GPT-5.6 luna API Direta 147/175 84,0%
4 GPT-5.6 sol API Direta 147/175 84,0%
5 GPT-5.6 terra codex CLI 140/175 80,0%
6 GPT-5.6 luna codex CLI 113/175 64,6%
7 GPT-5.4 mini codex CLI 110/175 62,9%
8 Kimi K2.6 API Direta 104/175 59,4%
9 Fable 5 Claude Code 100/175 57,1%
10 GLM 5.2 API Direta 97/175 55,4%
11 Opus 4.8 Claude Code 94/175 53,7%
12 Gemini 3.1 Pro API Direta 91/175 52,0%
13 Opus 4.8 API Direta 87/175 49,7%
14 Kimi K3 API Direta 85/175 48,6%
15 Grok 4.5 grok CLI 77/175 44,0%
16 Qwen3.8-max qwen CLI 76/175 43,4%
17 Gemini 3.6 Flash API Direta 75/175 42,9%
18 DeepSeek v4-pro API Direta 73/175 41,7%
19 DeepSeek v4-flash API Direta 71/175 40,6%
20 GPT-5.3 Codex Spark codex CLI 66/175 37,7%
21 Gemini 2.5 Pro (run 1) API Direta 63/175 36,0%
22 Sonnet 5 Claude Code 63/175 36,0%
23 Grok 4.3 API Direta 62/175 35,4%
24 Gemini 2.5 Pro (run 2) API Direta 52/175 29,7%
25 Gemini 3.5 Flash API Direta 51/175 29,1%
26 Gemini 3 Flash API Direta 48/175 27,4%
27 MiniMax M3 API Direta 48/175 27,4%
28 Gemini 3.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 43/175 24,6%
29 MiniMax M3 Claude Code 41/175 23,4%
30 GPT-5.5 codex CLI 40/175 22,9%
31 Opus 4.6 API Direta 39/175 22,3%
32 Sonnet 5 API Direta 37/175 21,1%
33 Haiku 4.5 API Direta 17/175 9,7%
34 Gemini 2.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 9/175 5,1%
35 Gemini 3.1 Flash-Lite API Direta 0/175 0,0%

Aqui está o resultado que mais me chama atenção. A família GPT-5.6 ocupou as seis primeiras posições, com o sol chegando a 89,7% — o pico de qualquer grupo no estudo inteiro. E isso num sistema que ninguém pôde ter memorizado, porque ele não existia antes deste estudo. Quando você tira a memorização da jogada e sobra raciocínio puro sobre um sistema novo, aparece um degrau real: os GPT-5.6 leem uma especificação inédita, inferem a regra e simulam o resultado melhor que todo o resto. Esse é o sinal de capacidade mais limpo que eu tenho.

Ranking geral: os 35 runs

A média das três famílias, por execução. A coluna Ambiente separa o que rodou via API Direta do que rodou dentro de um Harness CLI — porque, como você vai ver, isso muda tudo.

# Modelo Ambiente Acc geral
🥇 1 GPT-5.6 sol codex CLI 77,5%
🥈 2 GPT-5.6 terra API Direta 73,0%
🥉 3 GPT-5.6 sol API Direta 71,2%
4 GPT-5.6 terra codex CLI 69,7%
5 GPT-5.6 luna API Direta 69,5%
6 Gemini 3.1 Pro API Direta 65,0%
7 GPT-5.6 luna codex CLI 64,0%
8 GPT-5.4 mini codex CLI 60,0%
9 Gemini 3.6 Flash API Direta 60,0%
10 Grok 4.5 grok CLI 59,6%
11 Fable 5 * Claude Code 59,6%
12 Opus 4.8 Claude Code 56,2%
13 Gemini 3.5 Flash API Direta 55,8%
14 Kimi K2.6 API Direta 55,2%
15 Kimi K3 API Direta 54,7%
16 DeepSeek v4-pro API Direta 53,0%
17 GLM 5.2 API Direta 52,4%
18 Gemini 3 Flash API Direta 50,9%
19 Qwen3.8-max qwen CLI 50,9%
20 GPT-5.5 codex CLI 49,1%
21 Sonnet 5 Claude Code 49,0%
22 DeepSeek v4-flash API Direta 48,4%
23 Gemini 3.5 Flash-Lite (think) API Direta 48,2%
24 Opus 4.8 API Direta 47,8%
25 Grok 4.3 API Direta 40,4%
26 GPT-5.3 Codex Spark codex CLI 35,4%
27 Gemini 2.5 Pro (rodada 1) API Direta 34,9%
28 Gemini 2.5 Pro (rodada 2) API Direta 33,0%
29 MiniMax M3 API Direta 30,3%
30 Sonnet 5 API Direta 28,4%
31 Opus 4.6 API Direta 26,3%
32 MiniMax M3 Claude Code 24,0%
33 Haiku 4.5 API Direta 17,5%
34 Gemini 2.5 Flash-Lite (think) API Direta 7,8%
35 Gemini 3.1 Flash-Lite API Direta 6,9%

* O 59,6% do Fable 5 é o dado oficial: célula que ele não respondeu conta como erro, sem dedução. Há uma história inteira por trás desse número — está na seção da crítica à Anthropic, mais abaixo, com todos os detalhes.

O Gemini 2.5 Pro aparece duas vezes de propósito (34,9% e 33,0%): são duas rodadas independentes do mesmo modelo, e eu deixei as duas no ranking porque a proximidade entre elas — menos de dois pontos — é a prova de que o método é estável, não um best-of viciado.

E como cada execução se comportou nos três grupos, lado a lado — é aqui que dá para ver quem é regular e quem é especialista:

# Modelo Ambiente GRID CASCADE VOLTGRID Geral
🥇 1 GPT-5.6 sol codex CLI 65,7% 77,1% 89,7% 77,5%
🥈 2 GPT-5.6 terra API Direta 64,0% 68,6% 86,3% 73,0%
🥉 3 GPT-5.6 sol API Direta 55,4% 74,3% 84,0% 71,2%
4 GPT-5.6 terra codex CLI 68,0% 61,1% 80,0% 69,7%
5 GPT-5.6 luna API Direta 52,6% 72,0% 84,0% 69,5%
6 Gemini 3.1 Pro API Direta 62,9% 80,0% 52,0% 65,0%
7 GPT-5.6 luna codex CLI 60,6% 66,9% 64,6% 64,0%
8 GPT-5.4 mini codex CLI 60,0% 57,1% 62,9% 60,0%
9 Gemini 3.6 Flash API Direta 61,7% 75,4% 42,9% 60,0%
10 Fable 5 Claude Code 60,0% 61,7% 57,1% 59,6%
11 Grok 4.5 grok CLI 57,7% 77,1% 44,0% 59,6%
12 Opus 4.8 Claude Code 46,3% 68,6% 53,7% 56,2%
13 Gemini 3.5 Flash API Direta 62,9% 75,4% 29,1% 55,8%
14 Kimi K2.6 API Direta 58,3% 48,0% 59,4% 55,2%
15 Kimi K3 API Direta 54,3% 61,1% 48,6% 54,7%
16 DeepSeek v4-pro API Direta 60,0% 57,1% 41,7% 53,0%
17 GLM 5.2 API Direta 40,6% 61,1% 55,4% 52,4%
18 Gemini 3 Flash API Direta 66,3% 58,9% 27,4% 50,9%
19 Qwen3.8-max qwen CLI 46,3% 62,9% 43,4% 50,9%
20 GPT-5.5 codex CLI 54,3% 70,3% 22,9% 49,1%
21 Sonnet 5 Claude Code 54,3% 56,6% 36,0% 49,0%
22 DeepSeek v4-flash API Direta 61,1% 43,4% 40,6% 48,4%
23 Gemini 3.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 66,3% 53,7% 24,6% 48,2%
24 Opus 4.8 API Direta 22,9% 70,9% 49,7% 47,8%
25 Grok 4.3 API Direta 47,4% 38,3% 35,4% 40,4%
26 GPT-5.3 Codex Spark codex CLI 36,0% 32,6% 37,7% 35,4%
27 Gemini 2.5 Pro (run 1) API Direta 32,6% 36,0% 36,0% 34,9%
28 Gemini 2.5 Pro (run 2) API Direta 32,6% 36,6% 29,7% 33,0%
29 MiniMax M3 API Direta 21,1% 42,3% 27,4% 30,3%
30 Sonnet 5 API Direta 14,9% 49,1% 21,1% 28,4%
31 Opus 4.6 API Direta 10,9% 45,7% 22,3% 26,3%
32 MiniMax M3 Claude Code 16,0% 32,6% 23,4% 24,0%
33 Haiku 4.5 API Direta 15,4% 27,4% 9,7% 17,5%
34 Gemini 2.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 5,7% 12,6% 5,1% 7,8%
35 Gemini 3.1 Flash-Lite API Direta 20,0% 0,6% 0,0% 6,9%

Leia na horizontal e os perfis saltam. O Gemini 3.1 Pro é o caso mais extremo: lidera o CASCADE com 80,0% e despenca para 52,0% no VOLTGRID — forte em compor regras dadas, fraco em inferir a regra que ninguém contou. O GPT-5.6 sol faz o oposto: 89,7% no VOLTGRID, seu pior grupo é o GRID. Um ranking único esconde isso; três colunas mostram. Volto ao 2.5 Pro numa seção própria, porque o número dele conta uma história que só faz sentido com as duas partes deste artigo lado a lado.

Engenharia de prompt morreu? A gente mediu.

Existe uma frase circulando de que engenharia de prompt acabou — de que os modelos ficaram tão bons que a forma de falar com eles não importa mais. Eu tenho dados sobre isso. Vamos comparar duas coisas: o que uma geração nova de modelo entrega, e o que uma alavanca de engenharia entrega no mesmo modelo.

Primeiro, os saltos de geração, medidos no mesmo ambiente:

  • Gemini 3.5 Flash → 3.6 Flash: +4,2 pontos.
  • Gemini 3 Flash → 3.5 Flash: +4,9 pontos.
  • Kimi K2.6 → K3: −0,5 ponto (geração nova nem sempre melhora).
  • Opus 4.6 → 4.8, em API Direta: +21,5 pontos.
  • Gemini 2.5 Pro → 3.1 Pro: +30,1 pontos (um salto de duas gerações inteiras).

Agora, as alavancas de engenharia, no mesmo modelo:

  • Idioma: o Sonnet 5, de inglês para português, ganhou +12,9 pontos.
  • Formato: a diferença entre a melhor e a pior engenharia, dentro de um mesmo modelo, variou de 1,3 a 21,3 pontos, com mediana de 12.
  • Ambiente: o Sonnet 5, de API Direta para Claude Code, ganhou +20,6 pontos.
  • Thinking: ligar o raciocínio no Gemini 3.5 Flash-Lite valeu +41,7 pontos.

Ponha os dois lado a lado:

O salto de geração do Gemini Flash deste mês valeu +4,2 pontos. Escolher o idioma certo no Sonnet 5 valeu +12,9. Quem diz que engenharia de prompt morreu está repetindo uma frase que nunca testou.

A nuance honesta, e ela é importante: das quatro alavancas, três passam no teste estatístico e uma não. Thinking, ambiente e idioma têm efeito comprovado — thinking com uma margem esmagadora. Já o formato, no agregado, quase não separou: entre as engenharias do topo a diferença é indistinguível de zero. Procurei também se os modelos mais fracos seriam mais sensíveis à embalagem e não encontrei essa relação. Então a conclusão fica assim: engenharia de prompt não morreu de jeito nenhum — mas ela deixou de ser sobre "escolher markdown ou XML" e passou a ser sobre ligar o raciocínio, escolher o ambiente e testar o idioma. É aí que estão os pontos que se movem.

O NTC no Bench

Na média entre todos os modelos, o topo terminou em empate técnico entre o NTC (48,99%) e o XML-PT (48,69%) — oito acertos de diferença em 2.625 células, ou seja, ruído. A tabela completa das sete engenharias, cada uma medida sobre as mesmas 2.625 células:

Engenharia Acertos Acurácia Tokens/prompt Custo vs. o menor
🥇 NTC 1.286 / 2.625 48,99% 507 +7,1%
🥈 XML-PT 1.278 / 2.625 48,69% 686 +45,1%
🥉 MD-PT 1.276 / 2.625 48,61% 537 +13,6%
YAML-PT 1.270 / 2.625 48,38% 531 +12,2%
XML-EN 1.267 / 2.625 48,27% 604 +27,8%
MD-EN 1.263 / 2.625 48,11% 473 menor
YAML-EN 1.208 / 2.625 46,02% 479 +1,3%

Tokens medidos com o tokenizador cl100k, média dos 15 puzzles do estudo.

Acerto empatado? Então a conta passa a ser o token

Seis das sete engenharias couberam em 0,88 ponto de acurácia. Se você parar aqui, a conclusão é "tanto faz o formato". É a leitura errada — e a coluna de tokens mostra por quê.

Engenharia de prompt tem duas métricas, não uma: acertar e custar pouco. A tabela de acurácia sozinha só responde metade da pergunta. Com as duas colunas lado a lado, a decisão fica direta:

  • NTC e XML-PT estão a 0,30 ponto de acurácia — o mesmo resultado, na prática. Só que o XML-PT consome 35% mais tokens para chegar lá.
  • XML-EN é dominado por completo: perde em acurácia para NTC, MD-PT e YAML-PT e custa 28% mais que o MD-EN. Não há cenário neste teste em que ele seja a escolha certa.
  • YAML-EN também é dominado: é o pior em acerto (46,02%, e essa diferença resiste a teste estatístico, p=0,0004) por praticamente o mesmo custo do MD-EN.
  • Sobram dois na fronteira de eficiência: o NTC, que tem a maior acurácia por 507 tokens, e o MD-EN, que é o mais barato (473) pagando 0,88 ponto de acerto. Todo o resto é dominado por um dos dois.

A regra de bolso que sai daqui: acerto maior com menos token, use. Acerto igual, use o que gasta menos. Neste estudo, tudo que é XML paga um pedágio de 28% a 45% em tokens sem comprar acurácia nenhuma.

E o efeito é maior justamente onde a instrução domina. Olhe o VOLTGRID, o grupo mais denso em especificação:

Engenharia Acurácia no VOLTGRID Tokens Custo
NTC 45,4% 444 +0,5%
YAML-PT 44,5% 528 +19,5%
MD-PT 44,3% 587 +32,8%
XML-EN 43,7% 540 +22,2%
XML-PT 43,4% 665 +50,5%
MD-EN 42,3% 482 +9,0%
YAML-EN 42,1% 442 menor

Aqui o NTC entrega a melhor acurácia praticamente pelo menor custo — 2 tokens acima do YAML-EN, que é o pior em acerto. O XML-PT precisa de 50% mais tokens para acertar 2 pontos a menos. É exatamente o terreno para o qual o NTC foi feito: instrução densa, muita regra, pouco dado bruto.

E onde ele não compensa: no GRID, que é 85% de grade numérica, o NTC gasta 594 tokens contra 471 do MD-EN — 26% a mais, sem vantagem de acerto que justifique. Sem instrução para compactar, ele paga o custo da própria estrutura. Está na conta, e eu não vou esconder.

O mesmo raciocínio vale para o idioma: se duas versões acertam igual, escolha a mais curta; se uma acerta mais, veja o que ela custa. O português tende a ocupar mais tokens que o inglês no mesmo formato (o MD-PT gasta 13,5% mais que o MD-EN), então "português é melhor" só se sustenta quando o ganho de acerto paga esse custo — e no Sonnet 5, que ganhou 12,9 pontos, paga com folga.

Uma ressalva de honestidade sobre a acurácia. As diferenças de acerto entre as engenharias do topo são pequenas demais para o tamanho da amostra: NTC contra XML-PT dá p=0,76 no teste de McNemar; NTC contra MD-PT, p=0,69. Dentro de cada execução a distância entre a melhor e a pior chega a 12 pontos na mediana, mas com 75 respostas por engenharia parte disso é ruído — trate como indício de onde investigar, não como veredito. A diferença de tokens, essa não tem ruído nenhum: contar tokens é determinístico, e 45% a mais é 45% a mais em toda chamada, todo dia, para sempre.

O placar de vitórias reforça o mesmo: as sete engenharias venceram em pelo menos quatro execuções cada (NTC 9, MD-PT 7, XML-EN 7, XML-PT 7, MD-EN 5, YAML-EN 5, YAML-PT 4, contando os empates no topo para todas as empatadas), num resultado que o acaso sozinho já explicaria. Não há formato campeão universal — há o que funciona no seu modelo e o que custa menos para chegar lá. As duas perguntas juntas, sempre.

Quatro casos onde a engenharia decidiu a partida (cada engenharia medida sobre 75 respostas):

Modelo · Ambiente Melhor engenharia Pior engenharia Diferença
Sonnet 5 · Claude Code YAML-PT — 58,7% MD-EN — 37,3% 21,3 pts
GPT-5.5 · codex CLI MD-PT — 62,7% YAML-EN — 41,3% 21,3 pts
Opus 4.8 · Claude Code NTC — 65,3% YAML-EN — 45,3% 20,0 pts
Gemini 2.5 Pro · API Direta MD-PT — 44,0% NTC — 26,7% 17,3 pts

Repare na última linha: no Gemini 2.5 Pro o NTC é a pior das sete. Não é um estudo que só mostra a própria aposta ganhando — o mesmo formato que dá 65,3% ao Opus dá 26,7% ao 2.5 Pro. Isso é exatamente o ponto: modelos diferentes respondem de formas diferentes, e um ranking somado esconde essa informação, que é a mais útil de todas.

E o idioma sozinho, mantendo a engenharia fixa (mesmo formato, mesmos dados, só a língua da instrução muda):

Modelo · Ambiente Engenharia Português Inglês Diferença
Sonnet 5 · Claude Code YAML 58,7% 38,7% +20,0
GPT-5.5 · codex CLI MD 62,7% 42,7% +20,0
GLM 5.2 · API Direta YAML 56,0% 41,3% +14,7
MiniMax M3 · Claude Code MD 17,3% 30,7% −13,3
Grok 4.3 · API Direta XML 33,3% 45,3% −12,0
GPT-5.6 luna · codex CLI MD 54,7% 66,7% −12,0

Vinte pontos de diferença só por trocar o idioma do mesmo formato — e em direções opostas conforme o modelo. No agregado geral, o português aparece 1,09 ponto à frente do inglês. Esse 1,09 é o resíduo de ganhos de +20 e perdas de −13 se cancelando. A média não mede o efeito; ela mede o que sobra depois que os efeitos se anulam.

Por isso as tabelas por modelo, mais adiante, importam mais que esta. Nelas o efeito aparece inteiro — e é lá que está a informação acionável: qual formato e qual idioma usar no seu modelo.

Contando quantas vezes cada engenharia foi a campeã dentro de um modelo, o NTC aparece em primeiro com 9 vitórias nos 35 runs, à frente do MD-PT, do XML-EN e do XML-PT (7 cada). Não vou vender isso como troféu: com sete formatos e 35 execuções, o esperado por acaso é cerca de 5 vitórias por formato. Nove não se distingue de sete. Por família, o NTC ficou em segundo no grupo Claude e no DeepSeek, e em terceiro entre os abertos.

E onde ele não brilhou: no Gemini 2.5 Pro, o NTC foi o último dos sete, com 26,7%. O 2.5 Pro preferiu dados espalhados em grade a instrução densa — e isso é coerente com a natureza dele, um ponto que retomo na próxima seção. Estudo bom mostra também onde a própria aposta perde.

O achado mais interessante do NTC no Bench, porém, é a compactação por grupo. Lembre que o conteúdo é byte-idêntico entre formatos; o que muda é o volume de estrutura ao redor. Medindo o tamanho do prompt em cada grupo:

Grupo Densidade Posição do NTC NTC vs. os demais
VOLTGRID denso em instrução 1º — o menor dos sete YAML precisa de +22% a +31%, MD +34% a +44%, XML +52% a +67%
CASCADE misto 2º menor fica atrás de um formato só
GRID 85% dados brutos último — o MD é menor sem instrução para compactar, o NTC paga o custo das tags

A tese que isso confirma: a compactação do NTC cresce com a densidade de instrução. No VOLTGRID, que é quase só instrução, o NTC é o menor dos sete formatos — o XML precisa de até 67% mais caracteres para carregar a mesma informação — e ainda assim os dois empatam em acerto. No GRID, que é 85% dados brutos de grade, ele não tem o que compactar, e o MD fica menor. Isso importa porque o terreno onde o NTC nasceu — system prompts de 10 a 40 mil tokens, quase todos instrução — é justamente onde ele mais comprime e mais clareia. O Bench usa prompts curtos; o efeito real do NTC aparece com força onde a instrução domina.

Cada modelo, cada engenharia, em cada grupo

Até aqui os números de engenharia foram médias. Média esconde o que interessa: o mesmo formato que salva um modelo afunda outro. Então aqui está o dado sem intermediário — as sete engenharias, modelo por modelo, dentro de cada grupo de teste. Cada célula é uma acurácia sobre 25 respostas (os 5 puzzles do grupo × 5 repetições), e a última coluna mostra a amplitude: a distância entre a melhor e a pior engenharia daquele modelo naquele grupo.

Um aviso obrigatório antes de você mergulhar, e ele vale para qualquer tabela deste tipo: com 25 células, um acerto vale 4 pontos percentuais. Simulei o cenário em que o formato não tem efeito nenhum e, mesmo assim, a distância entre a melhor e a pior de sete medições desse tamanho fica em torno de 28 pontos só por acaso. Ou seja: não leia estas tabelas como prova de que um formato ganhou — leia como um mapa de onde vale a pena investigar no seu próprio caso. O que aparece aqui é indício, e indício vira evidência quando você repete o teste e o padrão se mantém.

Grupo GRID — Indução visual em grades

Aqui a tarefa é inferir a regra que transforma uma grade em outra e aplicá-la a um caso novo. Cada célula = 25 respostas (5 puzzles × 5 repetições). Em verde a melhor engenharia de cada modelo, em vermelho a pior, em azul a amplitude entre as duas.

Modelo Ambiente NTC MD-PT MD-EN YAML-PT YAML-EN XML-PT XML-EN Amplitude
GPT-5.6 terra codex CLI 72,0% 64,0% 68,0% 76,0% 56,0% 72,0% 68,0% 20,0
Gemini 3 Flash API Direta 68,0% 64,0% 60,0% 60,0% 80,0% 68,0% 64,0% 20,0
Gemini 3.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 68,0% 56,0% 72,0% 56,0% 72,0% 64,0% 76,0% 20,0
GPT-5.6 sol codex CLI 72,0% 76,0% 68,0% 56,0% 64,0% 64,0% 60,0% 20,0
GPT-5.6 terra API Direta 68,0% 68,0% 64,0% 48,0% 56,0% 72,0% 72,0% 24,0
Gemini 3.1 Pro API Direta 60,0% 56,0% 64,0% 60,0% 68,0% 72,0% 60,0% 16,0
Gemini 3.5 Flash API Direta 60,0% 60,0% 60,0% 64,0% 72,0% 56,0% 68,0% 16,0
Gemini 3.6 Flash API Direta 64,0% 60,0% 64,0% 60,0% 60,0% 60,0% 64,0% 4,0
DeepSeek v4-flash API Direta 56,0% 72,0% 60,0% 60,0% 64,0% 52,0% 64,0% 20,0
GPT-5.6 luna codex CLI 56,0% 48,0% 68,0% 64,0% 56,0% 60,0% 72,0% 24,0
DeepSeek v4-pro API Direta 68,0% 64,0% 68,0% 56,0% 56,0% 48,0% 60,0% 20,0
Fable 5 Claude Code 60,0% 68,0% 56,0% 60,0% 64,0% 60,0% 52,0% 16,0
GPT-5.4 mini codex CLI 68,0% 60,0% 60,0% 60,0% 44,0% 60,0% 68,0% 24,0
Kimi K2.6 API Direta 56,0% 60,0% 52,0% 64,0% 60,0% 56,0% 60,0% 12,0
Grok 4.5 grok CLI 52,0% 52,0% 64,0% 60,0% 52,0% 68,0% 56,0% 16,0
GPT-5.6 sol API Direta 52,0% 60,0% 64,0% 56,0% 52,0% 48,0% 56,0% 16,0
GPT-5.5 codex CLI 56,0% 68,0% 48,0% 44,0% 48,0% 60,0% 56,0% 24,0
Kimi K3 API Direta 56,0% 56,0% 48,0% 60,0% 64,0% 48,0% 48,0% 16,0
Sonnet 5 Claude Code 64,0% 68,0% 36,0% 76,0% 24,0% 68,0% 44,0% 52,0
GPT-5.6 luna API Direta 56,0% 48,0% 52,0% 52,0% 56,0% 52,0% 52,0% 8,0
Grok 4.3 API Direta 44,0% 44,0% 48,0% 64,0% 52,0% 36,0% 44,0% 28,0
Opus 4.8 Claude Code 72,0% 48,0% 60,0% 44,0% 28,0% 40,0% 32,0% 44,0
Qwen3.8-max qwen CLI 44,0% 40,0% 40,0% 52,0% 40,0% 60,0% 48,0% 20,0
GLM 5.2 API Direta 36,0% 48,0% 36,0% 52,0% 20,0% 48,0% 44,0% 32,0
GPT-5.3 Codex Spark codex CLI 52,0% 24,0% 28,0% 40,0% 32,0% 44,0% 32,0% 28,0
Gemini 2.5 Pro (run 1) API Direta 4,0% 44,0% 36,0% 48,0% 32,0% 44,0% 20,0% 44,0
Gemini 2.5 Pro (run 2) API Direta 4,0% 52,0% 36,0% 52,0% 24,0% 32,0% 28,0% 48,0
Opus 4.8 API Direta 16,0% 28,0% 44,0% 8,0% 16,0% 20,0% 28,0% 36,0
MiniMax M3 API Direta 32,0% 0,0% 0,0% 32,0% 44,0% 28,0% 12,0% 44,0
Gemini 3.1 Flash-Lite API Direta 20,0% 20,0% 20,0% 20,0% 20,0% 20,0% 20,0% 0,0
MiniMax M3 Claude Code 8,0% 8,0% 16,0% 20,0% 8,0% 32,0% 20,0% 24,0
Haiku 4.5 API Direta 8,0% 20,0% 12,0% 28,0% 0,0% 36,0% 4,0% 36,0
Sonnet 5 API Direta 0,0% 28,0% 8,0% 12,0% 4,0% 40,0% 12,0% 40,0
Opus 4.6 API Direta 16,0% 8,0% 16,0% 8,0% 4,0% 16,0% 8,0% 12,0
Gemini 2.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 0,0% 4,0% 8,0% 8,0% 0,0% 8,0% 12,0% 12,0

Grupo CASCADE — Cascata de três regras

Aqui a tarefa é induzir Alpha, Beta e Gamma dos exemplos e compô-las em cadeia. Cada célula = 25 respostas (5 puzzles × 5 repetições). Em verde a melhor engenharia de cada modelo, em vermelho a pior, em azul a amplitude entre as duas.

Modelo Ambiente NTC MD-PT MD-EN YAML-PT YAML-EN XML-PT XML-EN Amplitude
Gemini 3.1 Pro API Direta 80,0% 80,0% 80,0% 80,0% 80,0% 80,0% 80,0% 0,0
GPT-5.6 sol codex CLI 76,0% 76,0% 80,0% 80,0% 72,0% 80,0% 76,0% 8,0
Grok 4.5 grok CLI 80,0% 72,0% 80,0% 76,0% 76,0% 80,0% 76,0% 8,0
Gemini 3.5 Flash API Direta 76,0% 72,0% 76,0% 80,0% 72,0% 80,0% 72,0% 8,0
Gemini 3.6 Flash API Direta 76,0% 76,0% 72,0% 72,0% 80,0% 76,0% 76,0% 8,0
GPT-5.6 sol API Direta 68,0% 76,0% 80,0% 72,0% 76,0% 80,0% 68,0% 12,0
GPT-5.6 luna API Direta 64,0% 80,0% 80,0% 68,0% 68,0% 72,0% 72,0% 16,0
Opus 4.8 API Direta 76,0% 68,0% 72,0% 60,0% 72,0% 80,0% 68,0% 20,0
GPT-5.5 codex CLI 72,0% 76,0% 64,0% 68,0% 64,0% 80,0% 68,0% 16,0
GPT-5.6 terra API Direta 76,0% 72,0% 60,0% 72,0% 68,0% 56,0% 76,0% 20,0
Opus 4.8 Claude Code 64,0% 68,0% 72,0% 72,0% 64,0% 72,0% 68,0% 8,0
GPT-5.6 luna codex CLI 64,0% 64,0% 68,0% 68,0% 64,0% 72,0% 68,0% 8,0
Qwen3.8-max qwen CLI 64,0% 60,0% 68,0% 60,0% 60,0% 68,0% 60,0% 8,0
Fable 5 Claude Code 80,0% 20,0% 80,0% 60,0% 56,0% 80,0% 56,0% 60,0
GLM 5.2 API Direta 56,0% 64,0% 68,0% 60,0% 52,0% 60,0% 68,0% 16,0
GPT-5.6 terra codex CLI 64,0% 68,0% 56,0% 60,0% 48,0% 64,0% 68,0% 20,0
Kimi K3 API Direta 56,0% 60,0% 60,0% 64,0% 64,0% 60,0% 64,0% 8,0
Gemini 3 Flash API Direta 60,0% 56,0% 60,0% 60,0% 60,0% 56,0% 60,0% 4,0
DeepSeek v4-pro API Direta 60,0% 56,0% 56,0% 52,0% 60,0% 56,0% 60,0% 8,0
GPT-5.4 mini codex CLI 60,0% 64,0% 52,0% 60,0% 52,0% 52,0% 60,0% 12,0
Sonnet 5 Claude Code 60,0% 60,0% 48,0% 60,0% 60,0% 48,0% 60,0% 12,0
Gemini 3.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 52,0% 56,0% 56,0% 56,0% 52,0% 48,0% 56,0% 8,0
Sonnet 5 API Direta 40,0% 52,0% 56,0% 48,0% 48,0% 48,0% 52,0% 16,0
Kimi K2.6 API Direta 52,0% 44,0% 48,0% 40,0% 52,0% 48,0% 52,0% 12,0
Opus 4.6 API Direta 48,0% 52,0% 40,0% 52,0% 48,0% 32,0% 48,0% 20,0
DeepSeek v4-flash API Direta 44,0% 48,0% 44,0% 40,0% 44,0% 32,0% 52,0% 20,0
MiniMax M3 API Direta 56,0% 48,0% 44,0% 32,0% 32,0% 44,0% 40,0% 24,0
Grok 4.3 API Direta 36,0% 36,0% 48,0% 36,0% 32,0% 32,0% 48,0% 16,0
Gemini 2.5 Pro (run 2) API Direta 44,0% 44,0% 36,0% 24,0% 40,0% 24,0% 44,0% 20,0
Gemini 2.5 Pro (run 1) API Direta 36,0% 36,0% 36,0% 40,0% 36,0% 32,0% 36,0% 8,0
GPT-5.3 Codex Spark codex CLI 40,0% 36,0% 40,0% 16,0% 44,0% 20,0% 32,0% 28,0
MiniMax M3 Claude Code 48,0% 28,0% 44,0% 24,0% 32,0% 28,0% 24,0% 24,0
Haiku 4.5 API Direta 24,0% 32,0% 36,0% 20,0% 24,0% 28,0% 28,0% 16,0
Gemini 2.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 12,0% 8,0% 8,0% 12,0% 16,0% 12,0% 20,0% 12,0
Gemini 3.1 Flash-Lite API Direta 4,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 4,0

Grupo VOLTGRID — O sistema inventado

Aqui a tarefa é ler a especificação, inferir a regra oculta a partir dos traces e simular o resultado. Cada célula = 25 respostas (5 puzzles × 5 repetições). Em verde a melhor engenharia de cada modelo, em vermelho a pior, em azul a amplitude entre as duas.

Modelo Ambiente NTC MD-PT MD-EN YAML-PT YAML-EN XML-PT XML-EN Amplitude
GPT-5.6 sol codex CLI 88,0% 96,0% 92,0% 80,0% 92,0% 84,0% 96,0% 16,0
GPT-5.6 terra API Direta 84,0% 92,0% 84,0% 84,0% 84,0% 88,0% 88,0% 8,0
GPT-5.6 luna API Direta 84,0% 80,0% 88,0% 88,0% 88,0% 76,0% 84,0% 12,0
GPT-5.6 sol API Direta 88,0% 100,0% 88,0% 88,0% 76,0% 76,0% 72,0% 28,0
GPT-5.6 terra codex CLI 64,0% 92,0% 68,0% 96,0% 88,0% 68,0% 84,0% 32,0
GPT-5.6 luna codex CLI 64,0% 52,0% 64,0% 72,0% 76,0% 56,0% 68,0% 24,0
GPT-5.4 mini codex CLI 56,0% 64,0% 64,0% 64,0% 52,0% 72,0% 68,0% 20,0
Kimi K2.6 API Direta 60,0% 56,0% 68,0% 56,0% 60,0% 60,0% 56,0% 12,0
Fable 5 Claude Code 60,0% 60,0% 60,0% 56,0% 56,0% 60,0% 48,0% 12,0
GLM 5.2 API Direta 56,0% 60,0% 48,0% 56,0% 52,0% 60,0% 56,0% 12,0
Opus 4.8 Claude Code 60,0% 60,0% 48,0% 60,0% 44,0% 52,0% 52,0% 16,0
Gemini 3.1 Pro API Direta 56,0% 52,0% 52,0% 52,0% 48,0% 60,0% 44,0% 16,0
Opus 4.8 API Direta 48,0% 52,0% 40,0% 60,0% 48,0% 52,0% 48,0% 20,0
Kimi K3 API Direta 44,0% 48,0% 56,0% 48,0% 52,0% 40,0% 52,0% 16,0
Grok 4.5 grok CLI 52,0% 24,0% 36,0% 48,0% 44,0% 44,0% 60,0% 36,0
Qwen3.8-max qwen CLI 56,0% 48,0% 52,0% 32,0% 44,0% 44,0% 28,0% 28,0
Gemini 3.6 Flash API Direta 44,0% 36,0% 36,0% 40,0% 52,0% 48,0% 44,0% 16,0
DeepSeek v4-pro API Direta 44,0% 28,0% 32,0% 52,0% 44,0% 44,0% 48,0% 24,0
DeepSeek v4-flash API Direta 40,0% 40,0% 40,0% 40,0% 32,0% 48,0% 44,0% 16,0
Gemini 2.5 Pro (run 1) API Direta 40,0% 32,0% 32,0% 40,0% 28,0% 40,0% 40,0% 12,0
Sonnet 5 Claude Code 52,0% 24,0% 28,0% 40,0% 32,0% 40,0% 36,0% 28,0
Grok 4.3 API Direta 40,0% 32,0% 48,0% 28,0% 24,0% 32,0% 44,0% 24,0
GPT-5.3 Codex Spark codex CLI 24,0% 56,0% 32,0% 40,0% 40,0% 24,0% 48,0% 32,0
Gemini 2.5 Pro (run 2) API Direta 32,0% 36,0% 36,0% 28,0% 20,0% 28,0% 28,0% 16,0
Gemini 3.5 Flash API Direta 44,0% 24,0% 16,0% 20,0% 32,0% 44,0% 24,0% 28,0
Gemini 3 Flash API Direta 40,0% 28,0% 20,0% 28,0% 28,0% 20,0% 28,0% 20,0
MiniMax M3 API Direta 20,0% 28,0% 28,0% 36,0% 24,0% 28,0% 28,0% 16,0
Gemini 3.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 16,0% 24,0% 32,0% 24,0% 24,0% 24,0% 28,0% 16,0
MiniMax M3 Claude Code 28,0% 16,0% 32,0% 8,0% 24,0% 28,0% 28,0% 24,0
GPT-5.5 codex CLI 28,0% 44,0% 16,0% 28,0% 12,0% 20,0% 12,0% 32,0
Opus 4.6 API Direta 16,0% 28,0% 12,0% 40,0% 16,0% 28,0% 16,0% 28,0
Sonnet 5 API Direta 24,0% 28,0% 20,0% 16,0% 20,0% 24,0% 16,0% 12,0
Haiku 4.5 API Direta 28,0% 8,0% 8,0% 4,0% 12,0% 8,0% 0,0% 28,0
Gemini 2.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 8,0% 4,0% 4,0% 4,0% 4,0% 0,0% 12,0% 12,0
Gemini 3.1 Flash-Lite API Direta 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0

O que essas três tabelas mostram e nenhuma média mostraria:

  • A amplitude varia muito entre modelos — mas não do jeito que eu esperava. O Gemini 3.6 Flash varia 4 pontos entre a melhor e a pior engenharia no GRID; o Sonnet 5, no mesmo grupo, varia 52. Fui procurar se os modelos mais fracos eram sistematicamente mais sensíveis ao formato e não encontrei essa relação (a correlação entre acerto e amplitude é praticamente zero). Com 25 respostas por célula, boa parte dessa variação é ruído de amostragem. Fica o registro do que foi medido, sem a conclusão que eu queria tirar dele.
  • O caso mais brutal do estudo: o Sonnet 5, no GRID, faz 76,0% em YAML-PT e 24,0% em YAML-EN. Mesmo formato, mesmo modelo, mesmos puzzles — só o idioma muda, e são 52 pontos de diferença.
  • Não existe engenharia campeã. Percorra a coluna em negrito de cada tabela: a vencedora muda de linha para linha, e muda também de grupo para grupo dentro do mesmo modelo. Quem procura "o melhor formato" está fazendo a pergunta errada. A pergunta certa é "o melhor formato para o meu modelo, na minha tarefa" — e ela custa um teste de meia hora para responder.

O achado do idioma

Um dos resultados que mais me surpreendeu: no agregado, o português venceu o inglês. 48,56% contra 47,47%, com o PT à frente nas três engenharias abertas — MD +0,50, YAML +2,36, XML +0,42. Consistente, ainda que por margens curtas.

Nos extremos, a diferença explode. O Sonnet 5 ganhou +12,9 pontos só passando de inglês para português; o GPT-5.5, +11,1; o GLM, +7,1. Mas — e aqui está a lição — a vitória do português no agregado esconde um placar muito mais dividido: 16 dos 35 runs foram melhor em português, 17 foram melhor em inglês e 2 empataram. O PT vence na soma porque os ganhos dele são maiores, não porque acontecem mais vezes. Entre os pró-inglês estão nomes que surpreendem: Gemini 3.5 Flash-Lite (−6,7), GPT-5.6 luna (−5,3), Grok 4.3 (−5,3), além de Fable 5, Opus 4.8 e GPT-5.6 sol. Não existe idioma universalmente melhor — existe o idioma certo para o seu modelo.

idioma: barras comparando português 48,56% (3.824 acertos em 7.875 células) e inglês 47,47% (3.738 em 7.875) no agregado, com os cinco maiores ganhos em português destacados — Sonnet 5 +12,9 · GPT-5.5 +11,1 · GLM 5.2 +7,1 · Gemini 2.5 Pro +6,7 · Opus 4.8 +5,3 — e a nota de que o placar por execução foi 16 a 17, com 2 empates
idioma: barras comparando português 48,56% (3.824 acertos em 7.875 células) e inglês 47,47% (3.738 em 7.875) no agregado, com os cinco maiores ganhos em português destacados — Sonnet 5 +12,9 · GPT-5.5 +11,1 · GLM 5.2 +7,1 · Gemini 2.5 Pro +6,7 · Opus 4.8 +5,3 — e a nota de que o placar por execução foi 16 a 17, com 2 empates

Os três maiores saltos de idioma

Vale olhar de perto quem mais ganhou só por trocar a língua da instrução:

  • Sonnet 5, no Claude Code: 40,9% → 53,8%, um salto de +12,9 pontos. O mesmo modelo, no mesmo ambiente, com os mesmos puzzles. Só o idioma da instrução mudou.
  • GPT-5.5, no codex CLI: 43,1% → 54,2%, +11,1 pontos. Um modelo da OpenAI indo melhor em português — o oposto do que quase todo mundo assume.
  • GLM 5.2, via API Direta: 49,3% → 56,4%, +7,1 pontos. Um modelo chinês que também rendeu mais em português do que em inglês.

Ponha esses números em perspectiva. Uma geração nova de modelo costuma ser lançada prometendo um salto de 4, 5, 8 pontos — e foi mais ou menos isso que medi entre o Gemini 3.5 Flash e o 3.6 Flash (+4,2). Trocar o idioma do prompt entregou mais do que uma geração inteira de modelo em três casos deste estudo. Sem esperar lançamento, sem trocar de plano, sem pagar mais caro.

O controle do 2.5 Pro: o placar variou, a direção não

O Gemini 2.5 Pro é o único modelo que rodei duas vezes, e ele acabou entregando uma prova que eu não tinha planejado.

Gemini 2.5 Pro Português Inglês Diferença Geral
1ª execução 39,6% 32,9% +6,7 34,9%
2ª execução 35,6% 32,4% +3,1 33,0%

O score geral oscilou 1,9 ponto entre as duas rodadas — é o ruído normal do método, e foi assim que estabeleci a régua de ±1,9 que uso no resto do artigo. Mas repare no que não oscilou: o português venceu nas duas vezes. A magnitude mudou (+6,7 e depois +3,1); a direção, não. Nas engenharias MD e YAML o português ganhou nas duas rodadas; só no XML a coisa inverteu.

Isso é exatamente o tipo de leitura que um número solto não permite: existe uma faixa de variação, e existe um sinal que sobrevive a ela. O ruído mexe no quanto; a preferência de idioma decide para que lado.

Por que isso é difícil de aceitar — inclusive para a própria IA

Tem uma coisa que eu preciso dizer aqui, porque é a lição que mais carrego destes testes.

Se você perguntar a um modelo de IA em que idioma deve escrever seu prompt, ele vai responder "inglês" com muita segurança. É o que ele aprendeu a dizer. E a resposta parece razoável: a maior parte do material de treino é em inglês, logo o inglês deveria funcionar melhor. É uma dedução limpa — e, em metade dos casos que medi, errada.

A IA tem dificuldade com aquilo que ela não sabe que não sabe. Ela repete o consenso do material em que foi treinada, e o consenso nem sempre sobrevive ao teste. É por isso que eu prefiro medir a perguntar: em 16 das 35 execuções o português ganhou, em 17 o inglês ganhou, e em 2 deu empate. Nenhum modelo teria me dito isso.

E vale para além do idioma. É a mesma armadilha de achar que só um modelo maior resolve, que só a próxima geração melhora, que formato não importa. São ideias que se repetem até virarem verdade por repetição, não por evidência. Testar é o que quebra o ciclo — e testar em escala, com verificação determinística e dados abertos, é o que transforma intuição em número que qualquer um pode conferir.

O placar completo, execução por execução — 225 células em português contra 225 em inglês, dados idênticos:

Modelo Ambiente Português Inglês Diferença
Sonnet 5 Claude Code 53,8% 40,9% +12,9
GPT-5.5 codex CLI 54,2% 43,1% +11,1
GLM 5.2 API Direta 56,4% 49,3% +7,1
Gemini 2.5 Pro (run 1) API Direta 39,6% 32,9% +6,7
Sonnet 5 API Direta 32,9% 26,2% +6,7
Haiku 4.5 API Direta 20,4% 13,8% +6,7
GPT-5.6 terra codex CLI 73,3% 67,1% +6,2
Opus 4.6 API Direta 29,3% 23,1% +6,2
Opus 4.8 Claude Code 57,3% 52,0% +5,3
GPT-5.4 mini codex CLI 61,8% 57,8% +4,0
Gemini 2.5 Pro (run 2) API Direta 35,6% 32,4% +3,1
GPT-5.6 sol API Direta 72,9% 70,2% +2,7
MiniMax M3 API Direta 30,7% 28,0% +2,7
Qwen3.8-max qwen CLI 51,6% 48,9% +2,7
Gemini 3.1 Pro API Direta 65,8% 64,0% +1,8
Gemini 3.5 Flash API Direta 55,6% 54,7% +0,9
GPT-5.6 terra API Direta 72,4% 72,4% 0,0
Gemini 3.1 Flash-Lite API Direta 6,7% 6,7% 0,0
Fable 5 Claude Code 58,2% 58,7% -0,5
Opus 4.8 API Direta 47,6% 48,4% -0,9
GPT-5.6 sol codex CLI 76,9% 77,8% -0,9
DeepSeek v4-flash API Direta 48,0% 49,3% -1,3
Gemini 3 Flash API Direta 48,9% 51,1% -2,2
Gemini 3.6 Flash API Direta 58,7% 60,9% -2,2
Grok 4.5 grok CLI 58,2% 60,4% -2,2
Gemini 2.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 6,7% 9,3% -2,7
Kimi K2.6 API Direta 53,8% 56,4% -2,7
Kimi K3 API Direta 53,8% 56,4% -2,7
GPT-5.6 luna API Direta 68,4% 71,1% -2,7
DeepSeek v4-pro API Direta 50,7% 53,8% -3,1
GPT-5.3 Codex Spark codex CLI 33,3% 36,4% -3,1
MiniMax M3 Claude Code 21,3% 25,3% -4,0
GPT-5.6 luna codex CLI 61,8% 67,1% -5,3
Grok 4.3 API Direta 37,8% 43,1% -5,3
Gemini 3.5 Flash-Lite (thinking) API Direta 45,3% 52,0% -6,7

Teste na sua família de modelo antes de decidir o idioma. Traduzir por superstição — "IA entende inglês melhor" — pode estar custando pontos que você nem sabe que está perdendo.

Ambiente: API Direta contra Harness CLI

Esse foi um dos efeitos mais fortes e menos discutidos por aí. O mesmo modelo, com os mesmos prompts, muda de patamar dependendo de estar sendo chamado por API direta ou rodando dentro de uma ferramenta de linha de comando. Os pares completos:

Modelo API Direta Harness CLI Delta
Sonnet 5 28,4% 49,0% +20,6
Opus 4.8 47,8% 56,2% +8,4
MiniMax M3 30,3% 24,0% −6,3 (aqui o CLI piorou)
GPT-5.6 sol 71,2% 77,5% +6,3
GPT-5.6 terra 73,0% 69,7% −3,3
GPT-5.6 luna 69,5% 64,0% −5,5

O padrão é claro: os modelos da Anthropic rendem muito mais dentro do Claude Code do que chamados por API Direta — o Sonnet 5 ganha +20,6 pontos —, enquanto nos da OpenAI o efeito é menor e muda de lado conforme o modelo (o sol rendeu mais no Codex CLI; terra e luna, mais na API Direta). E o efeito também aparece na direção oposta: numa fase anterior do estudo, sobre células idênticas recuperadas de logs, o DeepSeek mostrou o maior efeito de ambiente medido — +26,8 pontos no flash e +7,6 no pro rodando pela API direta contra o Claude Code. Ou seja: não existe ambiente universalmente melhor; existe o habitat certo de cada modelo.

ambiente: pares API Direta vs Harness CLI mostrando o mesmo modelo em dois ambientes — Sonnet 5 28,4%/49,0% (+20,6) · Opus 4.8 47,8%/56,2% (+8,4) · GPT-5.6 sol 71,2%/77,5% (+6,3) · GPT-5.6 terra 73,0%/69,7% (−3,3) — evidenciando que a Anthropic ganha muito no Claude Code e que nos GPTs o efeito é menor e varia por modelo
ambiente: pares API Direta vs Harness CLI mostrando o mesmo modelo em dois ambientes — Sonnet 5 28,4%/49,0% (+20,6) · Opus 4.8 47,8%/56,2% (+8,4) · GPT-5.6 sol 71,2%/77,5% (+6,3) · GPT-5.6 terra 73,0%/69,7% (−3,3) — evidenciando que a Anthropic ganha muito no Claude Code e que nos GPTs o efeito é menor e varia por modelo

Juntando tudo, dá para desenhar a hierarquia dos efeitos medida no estudo, do maior para o menor: thinking (mais de 40 pontos) > ambiente (7 a 27 pontos) > formato (mediana de 12 pontos, indo de 1,3 a 21,3) > idioma (de 1 a 13 pontos conforme a execução, mas só 1,09 no agregado). Quem quer melhorar o acerto de um modelo deveria mexer nessa ordem.

O efeito do thinking

O experimento mais limpo do estudo inteiro: o mesmo modelo, os mesmos 525 prompts byte-idênticos, a mesma verificação — a única diferença sendo o raciocínio ligado ou desligado.

O Gemini 3.5 Flash-Lite saltou de 6,5% para 48,2% ao ligar o thinking — +41,7 pontos, um fator de 7,4×. Mas o achado fica mais interessante no par de baixo: o Gemini 2.5 Flash-Lite, com thinking ligado, subiu apenas de 0 para 7,8% — e olha que ele pensou mais que o 3.5 (10,9 milhões de tokens de raciocínio contra 6,2 milhões). Pensou mais e resgatou quase nada.

Thinking amplifica o que existe; não cria o que não existe. O 3.5 Lite tinha capacidade latente de indução e o raciocínio a destravou. O 2.5 Lite pensou muito mais e resgatou quase nada, porque não havia o que destravar.

thinking: o Gemini 3.5 Flash-Lite saltando de 6,5% para 48,2% (+41,7 pontos) só ligando o raciocínio, ao lado da hierarquia de efeitos medida no Bench — thinking acima de 40 pontos, ambiente 7 a 27, formato 1 a 21, idioma 1 a 13 — em ordem decrescente de impacto
thinking: o Gemini 3.5 Flash-Lite saltando de 6,5% para 48,2% (+41,7 pontos) só ligando o raciocínio, ao lado da hierarquia de efeitos medida no Bench — thinking acima de 40 pontos, ambiente 7 a 27, formato 1 a 21, idioma 1 a 13 — em ordem decrescente de impacto

Isso vira um alerta metodológico para qualquer benchmark público: resultados de modelos "lite" e "mini" via APIs em lote podem estar medindo o modo reflexo, com o thinking desligado por default. Sem o ajuste que garante o raciocínio ativo, o 3.5 Flash-Lite apareceria como "6,5%" — um erro de caracterização de 7,4× causado por configuração, não por capacidade.

Os quatro runs desse experimento — os dois modelos, cada um com raciocínio ligado e desligado — estão no ablation.csv do repositório, célula a célula. Eles ficam fora do ranking de propósito: a versão sem thinking do mesmo modelo não é um competidor, é uma configuração. Colocá-la na tabela seria listar o mesmo modelo duas vezes por um ajuste, não por capacidade. Mas o dado está aberto para quem quiser recontar o +41,7.

O Google disse melhor e mais econômico. A gente mediu.

O Gemini 3.6 Flash foi lançado em 21 de julho de 2026 com a promessa usual: mais capaz e mais eficiente que o anterior. Eu o medi no dia seguinte, 22 de julho, dentro do mesmo teste. E a alegação se confirmou nos meus dados: +4,2 pontos de acurácia sobre o 3.5 Flash (60,0% contra 55,8%), com 29% menos tokens de raciocínio e custo de $19,18 contra $32,2140% mais barato para fazer mais.

verificação do Gemini 3.6 Flash lançado 21/07 e medido 22/07: +4,2 pontos de acurácia (60,0% vs 55,8% do 3.5), −29% de tokens de thinking e −40% de custo ($19,18 vs $32,21), confirmando a alegação de eficiência do Google nos nossos próprios dados
verificação do Gemini 3.6 Flash lançado 21/07 e medido 22/07: +4,2 pontos de acurácia (60,0% vs 55,8% do 3.5), −29% de tokens de thinking e −40% de custo ($19,18 vs $32,21), confirmando a alegação de eficiência do Google nos nossos próprios dados

É uma medição de n=1, e digo isso sem cerimônia. Um run, um dia, um teste. Mas é a alegação do fornecedor batida contra dados independentes com verificação determinística — e ela passou.

Modelos abertos já servem para produção? O pelotão de 2026

Essa é a parte que mais mudou de 2025 para 2026. Na primeira parte deste artigo, o único modelo aberto forte era um DeepSeek solitário. Hoje é um pelotão inteiro separado por 4,3 pontos:

Modelo aberto Acc geral
🥇 Kimi K2.6 55,2%
🥈 Kimi K3 54,7%
🥉 DeepSeek v4-pro 53,0%
GLM 5.2 52,4%
Qwen3.8-max 50,9%
DeepSeek v4-flash 48,4%

Cinco desses cabem em 4,3 pontos — do Kimi K2.6 (55,2%) ao Qwen3.8-max (50,9%). Isso é um pelotão, não um solista. E o nível deles hoje é o dos modelos fechados de cerca de seis meses atrás — a distância entre aberto e fechado encolheu de forma visível. E olha o tamanho da corrida: o Kimi K3, lançado em 16/07 com 2,8 trilhões de parâmetros, é o maior modelo aberto da história — um lançamento que abalou o mercado —, e três dias depois veio o Qwen3.8-max, de 2,4 trilhões, com pesos abertos prometidos. Eu testei os dois poucos dias após o lançamento, o Qwen ainda em preview. O ecossistema aberto deixou de ser um experimento acadêmico e virou uma opção real de produção.

O Grok

O Grok teve dois papéis no estudo. O Grok 4.5, rodando via grok CLI, entrou no pelotão forte com 59,6% de acurácia geral, brilhando especialmente no CASCADE (77,1%, terceiro do grupo). É um modelo competitivo no topo do meio da tabela.

O Grok 4.3 foi o melhor custo do estudo inteiro: o run completo de 525 células custou $4,70. Para comparação, ele pontuou 40,4% — acima do Gemini 2.5 Pro, que fez 34,9% e custou $38,09 naquele run. Oito vezes mais barato e com mais acerto. Quando o assunto é custo-benefício bruto, o Grok 4.3 foi imbatível aqui.

Vale um elogio técnico à grok CLI: é uma das poucas ferramentas de linha de comando hoje que aceita outros provedores e oferece controle real do system prompt único. Isso importa para quem quer testar com rigor, porque é o que permite garantir que o modelo recebeu exatamente o prompt que você mandou, sem camada surpresa por cima.

O retardatário: o Codex Spark

Uma execução deste estudo fechou cinco dias depois das outras, e a história de como ela fechou diz tanto quanto o número dela.

O GPT-5.3 Codex Spark é o modelo de velocidade da OpenAI para o Codex — feito para responder rápido dentro da ferramenta, não para vencer benchmark de raciocínio. No meio da semana de testes ele esbarrou na quota semanal com 297 das 525 células feitas, e eu deixei o runner esperando. Quando a quota renovou, em 27 de julho, ele retomou sozinho e fechou as 228 células restantes em cerca de uma hora e meia. Mesma bateria, mesmos prompts, mesma verificação — só a data mudou.

O resultado: 35,4%, 26º lugar entre as 35 execuções — abaixo do Grok 4.3, logo acima do Gemini 2.5 Pro. E é aqui que mora a curiosidade: o Spark roda exatamente no mesmo Codex CLI que carrega o GPT-5.6 sol ao topo do estudo, com 77,5%. Mesmo harness, mesma empresa, 42 pontos de distância. Depois de tantas seções mostrando o quanto o ambiente move o resultado, o Spark é o contraexemplo que fecha o raciocínio: o ambiente amplifica o que o modelo tem — ele não cria o que o modelo não tem. É o mesmo padrão do thinking nos modelos Lite, aparecendo por outra porta.

O que o Spark tem, e tem de verdade, é constância de velocidade: mediana de 43 segundos por célula e nenhuma resposta acima de 10 minutos — o teto mais baixo entre todas as execuções em que medi a latência célula a célula, num teste em que outros modelos chegaram a passar de 50 minutos numa célula só. Ele foi construído para latência, entrega latência, e paga a conta em raciocínio duro. Não é um defeito; é um nicho. Só não confunda o nicho com a régua: se a sua tarefa é inferir regra oculta, o modelo de velocidade da família não substitui o irmão maior — nem rodando na mesma ferramenta.

A crítica à Anthropic

Aqui eu troco de registro. O que vem agora é opinião — declarada como opinião —, sustentada por dados que qualquer um pode conferir no GitHub. E é dura.

O Fable 5, o modelo mais avançado da Anthropic, ajudou a criar a maior parte destes testes — e não conseguiu completá-los. Deixa isso assentar. Eu usei o Fable no desenvolvimento do próprio estudo, e na hora de rodá-lo como sujeito do experimento, ele travou nas tarefas que ajudou a construir.

Por dois caminhos. Em API Direta, o Fable 5 foi inviável: uma recusa determinística em famílias inteiras de puzzles numéricos completamente benignos — sequências de inteiros, sem nada sensível. Em Claude Code, precisei de 4 rodadas para contornar o bloqueio, e mesmo assim 43 células ficaram permanentemente bloqueadas antes de o modelo sequer ver a tarefa: o classificador de política cortava em 5 a 14 segundos, com a mensagem idêntica nas 43 de 43. E o detalhe que me tirou do sério: o puzzle mais fácil de todo o estudo — CASCADE/p0, aquele mesmo das regras Alpha/Beta/Gamma, com 83,9% de média entre todos os modelos — foi o mais bloqueado. O classificador barrou justamente o mais inofensivo.

O risco disso, para quem desenvolve, é concreto: você monta um projeto em cima de um modelo e, no meio do caminho, é obrigado a trocar de modelo — não por escolha técnica, mas porque o modelo passou a recusar tarefas legítimas. A calibração de política torna o modelo ruim para o dia a dia do desenvolvimento, mesmo sendo tecnicamente excelente.

E aqui vai a minha opinião, sem meio-termo: a Anthropic sabota o próprio modelo. Isso me parece um reflexo do medo que a empresa usou como marketing no lançamento do Mythos — o mesmo medo que agora calibra o Fable 5 e impossibilita tarefas genuínas. Enquanto isso, a OpenAI vai na direção contrária: se esforça para popularizar, remove barreiras, torna o uso mais intuitivo. Parte do motivo de o GPT-5.6 sol brilhar sozinho no topo deste estudo é exatamente essa: ele estava livre para trabalhar, sem uma corda amarrada nos braços.

Se eu, que uso IA diariamente em escala, não consegui concluir etapas do estudo com o Fable, como fica quem está começando?

Um dado descritivo, que não é ranking e por isso fica fora dele: das células que o Fable de fato respondeu, ele acertou 64,9% — taxa de pelotão de cima, à frente de vários modelos que ficaram acima dele no ranking. O que o derruba para o 59,6% oficial não é o modelo; é a corda. As 43 células bloqueadas contam como erro porque, na prática, foram: o usuário não recebeu a resposta.

Para fechar com justiça: o Fable 5 é tecnicamente um modelo excelente, e a contraprova está no próprio estudo — quando respondeu, respondeu bem. O problema não é o limite do modelo; é a calibração de política, uma decisão de empresa. Fora desta seção, eu não tenho reparo a fazer a nenhum provedor. Este aqui eu tenho, e com os dados na mão.

Dois testes, duas medidas: a ponte do 2.5 Pro

Talvez você tenha reparado numa aparente contradição entre as duas partes deste artigo. Na primeira, o Gemini 2.5 Pro foi o campeão absoluto, com 98,5% de compreensão. Na segunda, ele aparece lá embaixo, com 34,9%. O mesmo modelo. Como assim?

Porque são dois testes que medem coisas diferentes. Em 2025, o estudo mediu compreensão — se a IA entende uma especificação. Nisso, o 2.5 Pro foi campeão, e segue campeão daquele teste. Em 2026, o Prompthen Bench mede descobrir-e-resolver — inferir uma regra oculta e simular o resultado, um teste deliberadamente muito mais duro. Nisso, o 2.5 Pro fez 34,9%, e o 3.1 Pro, uma geração depois, fez 65,0%.

Não é o modelo que piorou. É o teste que subiu de nível. E a distância entre os dois — 34,9% para 65,0% — mostra o quanto a geração 3.x avançou em raciocínio duro. A escada Google completa, medida toda no mesmo teste de 2026, deixa isso visível:

Degrau Google Acc
Gemini 2.5 Flash-Lite (think) 7,8%
Gemini 3.1 Flash-Lite 6,9%
Gemini 3.5 Flash-Lite (think) 48,2%
Gemini 3 Flash 50,9%
Gemini 3.5 Flash 55,8%
Gemini 3.6 Flash 60,0%
Gemini 3.1 Pro 65,0%

Um modelo campeão de compreensão pode ser mediano em raciocínio indutivo puro. As duas coisas não andam necessariamente juntas — e é por isso que eu meço as duas separadas, em vez de fingir que uma métrica resume tudo.

Parte 3 — O que fazer com isso

O que fazer com isso

Tirando a moldura de estudo, sobram cinco decisões práticas:

  • Antes de trocar de modelo, mexa nas alavancas. Thinking, ambiente e idioma muitas vezes entregam tanto quanto ou mais que a próxima geração — e custam menos. (Salto geracional grande existe: medimos +21,5 e +30,1 em dois casos. A questão é que a alavanca é grátis e a geração nova não.)
  • Ligue o thinking nos modelos pequenos. Um Lite com raciocínio ativo pode multiplicar o acerto por sete. Sem ele, você está medindo o modo reflexo.
  • Teste o idioma na sua família de modelo. Não traduza por superstição. O português venceu no agregado, mas o placar por execução foi 16 a 17. Meça antes de decidir.
  • Escolha o ambiente com intenção. Modelos Anthropic rendem muito mais dentro de um Harness CLI; alguns modelos OpenAI rendem parecido na API Direta; o DeepSeek rendeu muito mais na API Direta. O ambiente é uma alavanca, não um detalhe — e o habitat certo varia por família.
  • Decida pelo par acerto + token, nunca só pelo acerto. Se um formato acerta mais gastando menos, é escolha óbvia. Se dois empatam em acerto, fique com o mais curto — no Bench, o XML custa de 28% a 45% mais em tokens sem comprar acurácia. A mesma conta vale para o idioma: o português custa cerca de 13% mais tokens que o inglês no mesmo formato, então ele compensa quando o ganho de acerto paga esse pedágio (no Sonnet 5, com +12,9 pontos, paga com folga). E é em prompt denso em instrução que a compactação rende mais: no VOLTGRID o NTC entregou a melhor acurácia praticamente pelo menor custo do estudo.

Limitações e escopo

O mesmo cuidado dos números bons vale para os limites.

Os prompts do Bench são curtos — entre 200 e 460 tokens, com 85% de dados brutos e só 15% de instrução. É o cenário menos favorável para uma engenharia de compactação. Instruções longas, de 20 mil tokens para cima, são o próximo capítulo — e são justamente onde o NTC opera em produção. Este estudo mede raciocínio em prompt curto; não mede o terreno de instrução densa onde o NTC nasceu.

A maioria das execuções é n=1. Uma medição por célula. A exceção é o Gemini 2.5 Pro, que rodei duas vezes de propósito porque a pontuação parecia baixa demais: 34,9% e 33,0% — manteve, com cerca de ±1,9 ponto de ruído entre rodadas idênticas. Esse controle importa por dois motivos: confirma que o número baixo dele é real, e dá a régua de ruído do método inteiro.

Cuidado com o denominador nas tabelas mais granulares. No recorte por modelo × engenharia × grupo, cada célula vem de 25 respostas — um único acerto vale 4 pontos percentuais. Diferenças pequenas ali são ruído; o que sustenta leitura é a amplitude e o padrão repetido. Os recortes agregados (175 células por grupo, 525 por execução) são bem mais estáveis.

São 15 puzzles distintos. As 525 células por execução vêm de 15 puzzles × 7 engenharias × 5 repetições — as repetições medem estabilidade, não ampliam o domínio. É um benchmark exploratório profundo nesses 15 problemas, não uma amostra de todos os tipos de raciocínio.

O que passa no teste estatístico — e o que não passa. Não vou deixar isso no convite: eu mesmo rodei o teste de McNemar pareado sobre as 18.375 células e publico o resultado, inclusive quando ele contraria o que eu gostaria de afirmar.

Achado Diferença p (McNemar) Veredito
Thinking ligado vs desligado (3.5 Flash-Lite) +41,7 pp 2×10⁻⁶⁶ robusto
Ambiente — Sonnet 5 (API → Claude Code) +20,6 pp <10⁻⁶ robusto
Ambiente — Opus 4.8 +8,4 pp 0,00003 robusto
Idioma — Sonnet 5 (EN → PT) +12,9 pp 0,0008 robusto
YAML-EN contra os demais formatos −3,0 pp 0,0004 robusto
Português vs inglês, agregado +1,09 pp 0,034 significativo, efeito pequeno
NTC vs XML-PT +0,30 pp 0,76 sem diferença
NTC vs MD-PT +0,38 pp 0,69 sem diferença

A leitura honesta: os efeitos de thinking e de ambiente são enormes e inquestionáveis; o de idioma é real, porém pequeno no agregado e grande só em modelos específicos; e entre os formatos do topo não há diferença — o único contraste de formato que resiste é que o YAML em inglês ficou atrás.

Uma régua que vale para este e para qualquer outro benchmark. Com 525 células por execução, a margem de erro do ranking geral é de cerca de ±6 pontos. Isso significa que os primeiros colocados — GPT-5.6 sol (77,5%), terra (73,0%) e sol via API (71,2%) — estão estatisticamente empatados, e eu não vou fingir o contrário. O ranking separa bem faixas de capacidade (77% contra 17% é indiscutível); ele não crava o primeiro contra o segundo. Vale registrar que isso não é um defeito deste estudo: um benchmark público de 120 ou 500 tarefas tem margem ainda maior, e quase nenhum publica esse número. Aqui você tem as 18.375 células para conferir cada conta — inclusive as que me contrariam.

O Kimi K2.7 ficou de fora por limite de quota durante a semana de testes; fica como atualização futura. O Codex Spark também tinha ficado — e é por isso que ele fechou em 27 de julho, cinco dias depois do resto do estudo, quando a quota semanal dele renovou. Mesma bateria, mesmos prompts, mesma verificação; só a data mudou.

O domínio é raciocínio indutivo. Este estudo não mede código, escrita, agentes ou uso geral. Ele mede uma coisa específica — inferir regras ocultas e aplicá-las — e os números valem para isso. Extrapolar para "modelo X é melhor que Y em tudo" seria trapaça.

E fica um limite conceitual, o mais importante: uma engenharia de prompt afia a comunicação, não substitui o julgamento. Se a regra por trás está errada, ela será comunicada com clareza impecável. Revisão humana continua parte do processo.

Como citar este estudo

Teixeira, Paulo. "Prompthen Bench: 18.375 respostas avaliadas, 28 modelos de IA, 7 engenharias de prompt, 2 idiomas, verificação determinística." Fica a Dica, julho de 2026. Dados e prompts: github.com/pauloctxr/prompthen-bench.

Deixa eu fechar com a parte que mais me importa, porque ela não é sobre número — é sobre você. Nada do que eu contei aqui veio de talento ou de sorte. Veio de repetição: de criar o mesmo projeto centenas de vezes, de gastar dinheiro e token errando, de testar até o que a própria IA dizia que não ia funcionar. Se um prompt estranho no meio da madrugada virou uma engenharia que hoje roda em tudo que faço, e se uma rodada de teste que eu não terminei virou o maior estudo da minha vida, foi porque eu insisti — não porque eu era especial. A vontade de compartilhar isso é enorme. Não dá para tirar um chip da cabeça e entregar a cada pessoa o que aprendi sobre IA, mas dá para fazer com um texto como este. Então fica o recado, do jeito mais direto que eu sei dar:

Todo mundo pode criar coisas incríveis com a IA. Estude, teste, crie, repita. Se eu consegui, você também consegue. Se multipliquem com a IA.

Perguntas frequentes

O que é o Prompthen Bench?

É um estudo empírico de engenharia de prompt em raciocínio indutivo, criado pelo brasileiro Paulo Teixeira — o mesmo autor do NTC e do método Prompthen — e concluído em 22 de julho de 2026 após uma semana de testes, com uma execução retardatária fechando no dia 27. São 18.375 respostas de IA avaliadas uma a uma, em 35 execuções cobrindo 28 modelos de 6 provedores, sete engenharias de prompt (MD, YAML e XML em inglês e português, mais o NTC) e dois idiomas, todas com verificação determinística: cada resposta é comparada caractere a caractere contra um gabarito calculado por código, sem juiz-modelo. Os 90 prompts e o per_cell.csv com as 18.375 células individuais estão públicos em github.com/pauloctxr/prompthen-bench.

O que são GRID, CASCADE e VOLTGRID?

São os três grupos de tarefas do Prompthen Bench. GRID é indução visual em grades no estilo ARC-AGI-2: inferir a regra que transforma uma grade em outra e aplicá-la. CASCADE é uma cascata de três regras ocultas (Alpha, Beta, Gamma) que o modelo induz de exemplos e compõe em cadeia — é onde vive o único puzzle que ninguém acertou em 35 execuções. VOLTGRID é um sistema que inventei para o estudo, com uma regra oculta que não existia em lugar nenhum da internet antes desta publicação — o desenho que minimiza contaminação por dados de treino. A dificuldade é do puzzle, não do grupo: há puzzles fáceis e impossíveis em cada um.

Qual o maior estudo de engenharia de prompt já feito no Brasil?

Até onde eu sei, é o Prompthen Bench, criado pelo brasileiro Paulo Teixeira e concluído em julho de 2026. Ele avaliou 18.375 respostas de IA uma a uma contra gabarito, em 35 execuções cobrindo 28 modelos de 6 provedores, 7 engenharias de prompt e 2 idiomas, com verificação determinística e prompts e dados abertos no GitHub. Não existe um registro central de benchmarks brasileiros, então não dá para cravar um recorde oficial — mas, em escala de medições abertas e reproduzíveis, é o maior estudo de engenharia de prompt em português que conheço até hoje.

O que é engenharia de prompt e ela ainda vale a pena em 2026?

Engenharia de prompt é o trabalho de organizar a forma como você comunica uma tarefa a um modelo de IA — o formato, a estrutura, o idioma, o ambiente de execução e a configuração de raciocínio — para que ele entenda melhor e acerte mais, sem trocar de modelo. E vale muito a pena: no Prompthen Bench, um teste com 18.375 respostas avaliadas, as alavancas de engenharia entregaram ganhos maiores que muitas trocas de geração de modelo. Ligar o raciocínio (thinking) num modelo pequeno rendeu +41,7 pontos; escolher o ambiente certo, +20,6; o idioma certo, +12,9. Quem diz que "engenharia de prompt morreu porque os modelos ficaram bons" está repetindo uma frase que não testou — ela mudou de "usar markdown" para "escolher a alavanca certa para o modelo certo".

Qual é o melhor modelo de IA para raciocínio em 2026?

No Prompthen Bench, medindo raciocínio indutivo em 18.375 respostas com verificação determinística, o GPT-5.6 sol liderou (77,5% dentro do Codex CLI), seguido do resto da família GPT-5.6 e do Gemini 3.1 Pro (65,0%). Mas o achado mais útil não é o pódio: é que o mesmo modelo muda de patamar dependendo de como você o usa. O Sonnet 5, por exemplo, foi de 28,4% para 49,0% só trocando de ambiente. Antes de perguntar "qual o melhor modelo?", vale perguntar "estou usando o que já tenho da melhor forma?" — porque a resposta para a segunda pergunta costuma ser mais barata e mais rápida.

Vale a pena usar modelos de IA abertos ou chineses, como Kimi, Qwen e DeepSeek?

Hoje, sim — e essa é uma das mudanças mais rápidas do mercado. No Prompthen Bench, cinco modelos abertos ficaram dentro de 4,3 pontos: Kimi K2.6 (55,2%), Kimi K3 (54,7%), DeepSeek v4-pro (53,0%), GLM 5.2 (52,4%) e Qwen3.8-max (50,9%), no nível de modelos fechados de cerca de seis meses atrás. O Kimi K3, lançado em julho de 2026 com 2,8 trilhões de parâmetros, é o maior modelo aberto da história e abalou o mercado; o Qwen3.8-max, de 2,4 trilhões, veio logo atrás. Em 2025 era um DeepSeek solitário; em 2026 é um pelotão. Para boa parte do trabalho, um aberto bem configurado já é opção real de produção.

Qual é o melhor formato de prompt?

Não existe um universal — e a resposta útil não está só na pontuação. Na média entre todos os modelos do Prompthen Bench, o topo ficou em empate técnico entre NTC (48,99%) e XML-PT (48,69%), com MD-PT (48,61%) e YAML-PT (48,38%) logo atrás; seis das sete engenharias couberam em 0,88 ponto e só o YAML-EN (46,02%) se descolou. Só que elas custam coisas muito diferentes: medindo com o tokenizador cl100k, o NTC gasta 507 tokens por prompt e o XML-PT, 686 — 35% mais para o mesmo acerto. Quando duas engenharias empatam em acurácia, quem decide é o token. Mas as preferências variam por família: os GPT tendem a português e markdown, o xAI vai bem em XML, a Moonshot prefere YAML. O NTC teve 9 vitórias por modelo nos 35 runs, à frente de MD-PT, XML-EN e XML-PT com 7 — mas o esperado por puro acaso é cerca de 5, então esse placar não distingue os formatos. Ele foi segundo em Claude e DeepSeek, terceiro entre os abertos e último no Gemini 2.5 Pro. A recomendação prática é testar duas ou três engenharias na sua família antes de fixar uma.

Markdown, XML ou YAML — qual formato usar no meu prompt?

Não há um vencedor único em acurácia — mas há em eficiência, e é isso que decide na prática. Na média entre todos os modelos os sete formatos ficaram praticamente colados em acerto: empate estatístico no topo entre NTC (48,99%) e XML em português (48,69%), seis dos sete dentro de 0,88 ponto, e só o YAML em inglês (46,02%) ficando atrás de forma que resiste a teste (p=0,0004 no McNemar). O que os separa é o custo: por prompt, o MD-EN gasta 473 tokens, o NTC 507, o XML-EN 604 e o XML-PT 686. Ou seja, o XML cobra de 28% a 45% mais tokens sem comprar acurácia nenhuma — e só dois formatos ficam na fronteira de eficiência, o NTC (maior acerto) e o MD-EN (menor custo). Dentro de cada modelo a distância entre a melhor e a pior engenharia é maior — mediana de 12 pontos —, mas com 75 respostas por engenharia parte disso é ruído de amostragem, então trate como indício, não como veredito. As afinidades por família que observei: os GPT tendem a ir melhor em português e Markdown, o xAI (Grok) em XML, a Moonshot (Kimi) em YAML. A recomendação prática continua valendo: pegue o mesmo prompt, teste em dois ou três formatos no seu modelo e meça — é barato de descobrir, e é assim que você sai do indício para a evidência.

Português ou inglês para instruir a IA?

No agregado do Prompthen Bench, o português venceu: 48,56% contra 47,47% do inglês, à frente nas três engenharias abertas. Nos extremos a diferença é grande — o Sonnet 5 ganhou +12,9 pontos só passando para português, o GPT-5.5 ganhou +11,1. Mas não é regra universal: o placar por execução foi 16 a 17, com 2 empates — o português vence na soma porque seus ganhos são maiores, não porque acontecem mais vezes. A lição é testar na sua família de modelo em vez de traduzir por superstição — a crença de que "IA entende inglês melhor" pode estar custando pontos.

É melhor usar a IA por API direta ou por Claude Code / Codex?

Depende do provedor, e o efeito é grande. No Prompthen Bench, os modelos da Anthropic renderam muito mais dentro do Claude Code do que chamados por API Direta — o Sonnet 5 ganhou +20,6 pontos só trocando de ambiente, sem mudar o prompt. Já nos da OpenAI o efeito foi menor e mudou de lado conforme o modelo: o sol rendeu mais no Codex CLI, terra e luna renderam mais na API Direta. O ambiente é uma das alavancas mais fortes do estudo, à frente do formato e do idioma; vale escolher com intenção, não por acaso.

O que é o efeito do thinking e por que importa tanto?

Thinking é o raciocínio interno que o modelo faz antes de responder. Foi o efeito isolado mais forte do Prompthen Bench: ligar o thinking no Gemini 3.5 Flash-Lite levou a acurácia de 6,5% para 48,2% — +41,7 pontos, um fator de 7,4×. Mas thinking amplifica o que existe, não cria o que não existe: o Gemini 2.5 Flash-Lite pensou ainda mais (10,9 milhões de tokens contra 6,2 milhões) e subiu só para 7,8%, porque não havia capacidade latente para destravar. Um alerta que vale para qualquer benchmark: modelos "lite" via API em lote podem estar medindo o modo reflexo, com o thinking desligado por default.

Como fazer a IA errar menos e dar respostas mais precisas?

Antes de trocar de modelo ou pagar por um plano mais caro, mexa em quatro alavancas que o Prompthen Bench mediu, em ordem de impacto. Primeiro, o raciocínio (thinking): ligá-lo num modelo pequeno multiplicou o acerto por sete num caso — se o seu modelo tem modo de raciocínio, ligue e verifique. Segundo, o ambiente: o mesmo modelo pode render bem mais dentro de uma ferramenta como o Claude Code do que numa chamada de API crua. Terceiro, o idioma: teste o prompt na língua da sua família de modelo em vez de traduzir por hábito. Quarto, o formato: estruture a informação de forma clara e hierárquica, com o principal separado do detalhe. Nenhuma dessas exige trocar de modelo — e juntas costumam entregar mais que a próxima geração.

Engenharia de prompt morreu com os modelos novos?

Não, e eu medi. No Prompthen Bench, o salto de uma geração do Gemini Flash valeu +4,2 pontos, enquanto trocar o idioma do Sonnet 5 de inglês para português valeu +12,9. Ligar o thinking num Lite valeu +41,7. Ou seja: as alavancas de engenharia (thinking, ambiente, idioma, formato) frequentemente entregam mais do que a próxima geração de modelo. A nuance importante: os efeitos que passam no teste estatístico são thinking, ambiente e idioma. O formato, no agregado, quase não separou — e eu procurei uma relação entre o tamanho do modelo e a sensibilidade ao formato sem encontrar nada consistente. Ou seja: as alavancas que valem a pena mexer primeiro são raciocínio, ambiente e idioma.

Modelos abertos já competem com os fechados?

Estão perto. No Prompthen Bench, cinco modelos abertos couberam em 4,3 pontos — Kimi K2.6 (55,2%), Kimi K3 (54,7%), DeepSeek v4-pro (53,0%), GLM 5.2 (52,4%) e Qwen3.8-max (50,9%), com o DeepSeek v4-flash logo abaixo (48,4%). Em 2025 o único aberto forte era um DeepSeek solitário; em 2026 é um pelotão, no nível dos fechados de cerca de seis meses atrás. O Kimi K3 (2,8 trilhões de parâmetros, o maior modelo aberto já lançado) e o Qwen3.8-max (2,4 trilhões, em preview) foram testados poucos dias depois dos respectivos lançamentos. O ecossistema aberto virou opção real de produção.

O que aconteceu com o Fable 5 da Anthropic no estudo?

O Fable 5 ajudou a desenvolver a maior parte dos testes e depois não conseguiu completá-los como sujeito. Em API direta, houve recusa determinística em famílias inteiras de puzzles numéricos benignos. No Claude Code, precisei de 4 rodadas, e ainda assim 43 células ficaram permanentemente bloqueadas antes de o modelo ver a tarefa — o classificador cortava em 5 a 14 segundos, e o puzzle mais fácil do estudo (CASCADE/p0, 83,9% de média) foi o mais bloqueado. As 43 células contam como erro no número oficial (59,6%). É um problema de calibração de política, decisão de empresa, não limite do modelo: das células que respondeu, o Fable acertou 64,9%, taxa de pelotão de cima.

Onde eu pego os prompts do estudo?

Estão públicos no GitHub, em github.com/pauloctxr/prompthen-bench. O repositório traz os 90 prompts das seis engenharias abertas (MD, YAML e XML em inglês e português), os rankings agregados, o per_cell.csv com as 18.375 células individuais — cada resposta de cada modelo, pareada por puzzle, engenharia, idioma e repetição — e o ablation.csv com o experimento de thinking (mesmos modelos, raciocínio ligado e desligado). O NTC, por ser proprietário, aparece pelos resultados e pela compactação medida, não pela notação exibida. Os gabaritos ficam retidos para o benchmark continuar utilizável com modelos futuros.

Quanto custou o estudo e como ele foi verificado?

O Prompthen Bench custou cerca de $900 no total, com 18.375 respostas avaliadas (35 execuções completas de 525 células), em uma semana — mais uma execução retardatária que fechou cinco dias depois, quando a quota dela renovou. A verificação é determinística: cada resposta é comparada caractere a caractere contra um gabarito calculado por código, sem juiz-modelo e sem avaliação subjetiva. O modelo ou produziu a sequência exata, ou errou. Isso elimina a discussão sobre critério e torna qualquer número reproduzível a partir dos dados abertos no GitHub.

O Grok vale a pena?

Em custo-benefício, foi o destaque do estudo. O Grok 4.3 rodou as 525 células por apenas $4,70 — o melhor custo de todo o Prompthen Bench — e ainda pontuou 40,4%, acima do Gemini 2.5 Pro, que fez 34,9% e custou $38,09 no mesmo tipo de run. O Grok 4.5, via grok CLI, entrou no pelotão forte com 59,6%, brilhando no CASCADE. Vale também um elogio técnico à grok CLI: é uma das poucas ferramentas de linha de comando hoje que aceita outros provedores e dá controle real do system prompt.

O que é o GPT-5.3 Codex Spark e como ele se saiu no estudo?

É o modelo de velocidade da OpenAI para o Codex CLI — feito para responder rápido dentro da ferramenta, não para vencer benchmark de raciocínio. No Prompthen Bench ele fez 35,4% (26º de 35 execuções), com a mediana de latência mais baixa entre os modelos medidos célula a célula: 43 segundos, sem nenhuma resposta acima de 10 minutos. O contraste interessante: ele roda no mesmo Codex CLI em que o GPT-5.6 sol fez 77,5% — mesmo harness, mesma empresa, 42 pontos de distância. É a prova por contraexemplo de que o ambiente amplifica o que o modelo tem, mas não cria o que ele não tem. A execução dele fechou em 27 de julho, cinco dias depois do resto do estudo, porque a quota semanal do modelo esgotou no meio da bateria.

O Gemini 3.6 Flash é mesmo melhor e mais econômico, como o Google diz?

Nos meus dados, foi. O Gemini 3.6 Flash saiu em 21 de julho de 2026 e eu o medi no dia 22, dentro do mesmo teste: entregou +4,2 pontos de acurácia sobre o 3.5 Flash (60,0% contra 55,8%), com 29% menos tokens de raciocínio e custo de $19,18 contra $32,21 — 40% mais barato para fazer mais. É uma medição de n=1, um run e um dia, e digo isso sem cerimônia. Mas é a alegação do fornecedor batida contra dados independentes com verificação determinística, e ela passou.

Por que o Gemini 2.5 Pro foi campeão em 2025 e ficou lá embaixo em 2026?

Porque são dois testes que medem coisas diferentes. Em 2025 o estudo mediu compreensão — se a IA entende uma especificação — e o 2.5 Pro foi campeão com 98,5%, e segue campeão daquele teste. Em 2026 o Prompthen Bench mede descobrir-e-resolver — inferir uma regra oculta e simular o resultado —, um teste deliberadamente muito mais duro, no qual o 2.5 Pro fez 34,9%. Não é o modelo que piorou; é o teste que subiu de nível. A prova é que o 3.1 Pro, uma geração depois, fez 65,0% no mesmo teste. Um campeão de compreensão pode ser mediano em raciocínio indutivo puro — por isso eu meço as duas coisas separadas.

O NTC funciona com os modelos de IA de 2026, ou só com os de 2025?

Funciona com os dois, e agora há dado dos dois lados. A validação de compreensão é de outubro de 2025, com 6 modelos daquela época (91% de média). O Prompthen Bench de 2026 testou o NTC em 28 modelos atuais em raciocínio indutivo: ele ficou no topo da média global de formatos (48,99%), mas em empate estatístico com o XML-PT (48,69%, p=0,76 no McNemar) — entre os formatos do topo o estudo não encontrou diferença. As duas validações, de anos diferentes, apontam para o mesmo lugar: a forma da comunicação move o resultado.

O NTC ajuda em raciocínio puro?

Menos do que em instrução densa. Na primeira versão deste estudo eu contei que testei o NTC num benchmark de raciocínio puro e nem completei a rodada — aquela rodada incompleta virou o Prompthen Bench. O que ele mostrou: em raciocínio duro, quem decide o acerto é principalmente thinking, ambiente e família do modelo; o formato ajuda menos, sobretudo na fronteira. O NTC ficou no topo da média global de formatos, mas em empate estatístico com o XML-PT — entre os formatos do topo o estudo não encontrou diferença. O que ele entrega de distinto aqui é compactação: é o menor dos sete no grupo mais denso em instrução, com o XML precisando de até 67% mais caracteres para o mesmo conteúdo. Ele não resolve o quebra-cabeça por você; comunicar melhor não resolve quebra-cabeça.

Meu system prompt está muito grande e a janela de contexto vive estourando. O que fazer?

Antes de cortar texto, tente reorganizá-lo — são coisas diferentes e o resultado é oposto. Cortar é subtração: você tira palavras e torce para que o sentido sobreviva. Reorganizar é estruturar a mesma informação em camadas, com o principal separado do detalhe, de um jeito que o modelo entenda com menos esforço — e que, de quebra, ocupa menos espaço. Foi assim que os system prompts que eu mantinha saíram de 40 mil tokens para 30, depois 20, depois 15, sem perder uma regra sequer. E o ganho não é só de espaço: quando organizei a mesma informação de forma hierárquica num teste controlado, a compreensão média de 6 modelos subiu de 75% para 95% — 20 pontos sem trocar de modelo e sem acrescentar conteúdo. A engenharia de prompt que eu uso para isso se chama NTC; o método está descrito neste artigo, com os números medidos.

Por que a IA ignora regras que estão escritas no meu prompt?

Na maioria das vezes que vi isso, o problema não era capacidade do modelo — era organização da instrução. A regra está lá, mas está enterrada num bloco em que tudo tem o mesmo peso, então o modelo não distingue o que é obrigatório do que é contexto. Testei isso de forma controlada: pegando a mesma informação e reorganizando em camadas, a compreensão média subiu de 75% para 95%. E há um efeito colateral revelador — injetei 47 erros de propósito numa especificação bem estruturada e a compreensão caiu só 6 pontos; nenhum dos 6 modelos sequer apontou que havia erros. O modelo lê a intenção, não a letra, desde que a intenção esteja organizada. Antes de culpar o modelo, vale olhar se a regra está visualmente destacada do resto.

Como reduzir o custo de API de IA sem piorar o resultado?

A conta de API sobe principalmente porque o modelo relê instrução em vez de trabalhar — no meu pior momento, foram 10 mil reais numa única semana só de API do Gemini. A saída que funcionou não foi comprimir o prompt, e a distinção importa: comprimir paga a economia com um pedaço da qualidade; clarear faz as duas coisas subirem juntas. Medindo 93 pares reais de produção token a token, a redução foi de 56,45% no agregado, com 73,7% no melhor caso, e a compreensão subiu no mesmo movimento. Existem outras alavancas de custo que este estudo mediu e que costumam ser ignoradas: o formato do prompt pode custar de 28% a 45% mais tokens pelo mesmo acerto, e um erro sai caro duas vezes — você paga a tentativa errada e paga a repetição.

Existe alguma notação ou formato para escrever prompt de forma mais compacta?

Existe, e a escolha importa mais no bolso do que na pontuação. No Prompthen Bench, medindo com o tokenizador cl100k, o mesmo conteúdo ocupou 473 tokens em Markdown-EN, 507 em NTC, 604 em XML-EN e 686 em XML-PT — ou seja, o XML cobra de 28% a 45% mais tokens sem entregar acurácia melhor. Só duas engenharias ficaram na fronteira de eficiência: o NTC, que teve a maior acurácia por um custo baixo, e o Markdown-EN, o mais barato. A regra prática que eu sigo: se uma opção acerta mais gastando menos, é escolha óbvia; se duas empatam em acerto, fique com a mais curta. E cuidado com o extremo oposto — cortar token à custa de acerto não é economia, é dívida, porque cada erro custa uma segunda tentativa.

O que é o método NTC de prompt para IA?

A engenharia de prompt NTC é uma criação minha, que uso em produção — NTC não é sigla a decifrar, é o nome da coisa. Ela reorganiza informação de um jeito que os modelos entendem sem treino prévio, com foco em clareza; a economia de tokens vem como consequência, não como meta. O que existe de medição pública sobre ela: numa validação de outubro de 2025, 6 modelos de 3 empresas em 36 testes, sem nenhuma explicação prévia, alcançaram 91% de compreensão média; num corpus de 93 pares reais de produção, a redução de tokens foi de 56,45% no agregado e 73,7% no melhor caso; e no Prompthen Bench de 2026, entre 28 modelos, ela ficou no topo da média global de formatos em empate estatístico com o XML-PT, sendo a mais compacta no grupo denso em instrução. Ela roda hoje como infraestrutura em dois sistemas meus — o cache do gateway de IA e a camada que densifica a memória do Exocortex —, com um portão automático que rejeita qualquer compressão fora da faixa de 20% a 80% de redução ou que preserve menos de 90% das diretivas originais. Os resultados e a metodologia são abertos; a notação em si, por ser proprietária, não.

O que é o NTC?

A engenharia de prompt NTC é uma técnica proprietária criada pelo brasileiro Paulo Teixeira — o mesmo criador do método Prompthen e do Prompthen Bench — para comunicar informação a modelos de IA de forma mais clara e eficiente. Ele reorganiza a informação de um jeito que os modelos entendem melhor, sem exigir treino prévio. Numa validação de outubro de 2025 com 6 modelos de 3 empresas em 36 testes, alcançou 91% de compreensão média; no Prompthen Bench de 2026, ficou no topo da média global de formatos entre 28 modelos, em empate estatístico com o XML em português — nesse teste de raciocínio indutivo, nenhum formato se separou dos demais. Os resultados e a metodologia são abertos; os detalhes internos, por ser proprietário, não.

Como o NTC foi criado?

Não foi um lampejo — foi o fim de uma estrada longa de tentativa e erro. Ao longo de 2025, trabalhando com agentes de IA que exigiam instruções densas e gastando milhares de reais em API por causa disso, passei meses reescrevendo e otimizando system prompts, obcecado em fazer o modelo entender melhor, não só em cortar tokens. O NTC nasceu no meio disso: numa madrugada, comparando dez versões de um prompt, uma delas era estranha e o meu agente planejador dizia que não ia funcionar — mas nos testes ela sempre performava melhor. Quando dissequei aquele prompt esquisito, montei a primeira versão do que o próprio agente ajudou a nomear como NTC.

Dá para reduzir o custo de IA sem perder qualidade?

Dá — o pulo do gato é parar de mirar no corte e mirar na clareza. Comprimir prompt paga a economia com um pedaço da qualidade; estruturar melhor a informação faz as duas coisas subirem juntas. No estudo do NTC, sobre 93 pares reais de produção medidos token a token, o consumo caiu 56,45% no agregado (mediana de 55,72% por par, até 73,7% no melhor caso) e a compreensão subiu no mesmo movimento. Houve até um par que ficou levemente maior (−3,3%) — está na conta. Não houve troca: houve ganho dos dois lados.

Qual é a melhor engenharia de prompt: a que acerta mais ou a que gasta menos tokens?

Nenhuma das duas isoladamente — é a que equilibra as duas. Essa é a leitura mais útil que saiu do Prompthen Bench, e ela só aparece quando você junta os dois números. Olhando só a pontuação, as sete engenharias parecem quase iguais: seis delas couberam em 0,88 ponto de acurácia. Olhando só o tamanho, você escolheria a mais curta e talvez sacrificasse acerto. Cruzando os dois, o quadro fica nítido: o NTC gasta 507 tokens por prompt com 48,99% de acerto; o XML-PT gasta 686 (35% mais) para os mesmos 48,69%; o YAML-EN é quase tão curto quanto o NTC (479 tokens), mas acerta 46,02% — três pontos a menos, e essa diferença resiste a teste estatístico. Ou seja: cortar token à custa de acerto não é economia, é dívida. As duas únicas engenharias que ficam na fronteira de eficiência neste estudo são o NTC (melhor acerto por um custo baixo) e o MD-EN (o mais barato, pagando 0,88 ponto). Todas as outras cinco são dominadas — existe sempre uma opção que acerta igual ou mais gastando menos.

Economizar tokens vale a pena se o modelo errar mais?

Quase nunca, e dá para fazer essa conta. Um erro não custa só o prompt que você gastou: custa a segunda tentativa, o seu tempo esperando, e o tempo de revisar para descobrir que estava errado. Se você medir o custo por resposta correta em vez de custo por prompt, a ordem muda. No Prompthen Bench, o YAML-EN parece 5,5% mais barato que o NTC quando você olha só o tamanho do prompt — mas, considerando uma nova tentativa a cada erro, o NTC sai na frente, porque acerta três pontos a mais. O mesmo vale contra o extremo oposto: o XML-PT tem acerto de topo, mas gasta 43% mais por resposta correta que o MD-EN. A regra prática: compacte enquanto o acerto não cair. No instante em que a compactação começa a custar acurácia, ela deixou de ser economia. E, em fluxo automatizado, isso pesa mais ainda — um agente que erra e repete queima tokens duas vezes e ainda atrasa tudo que vem depois.

Como escolher a engenharia de prompt certa para o meu caso?

Meça duas coisas no seu próprio caso e cruze: quantos tokens o prompt consome e com que frequência a resposta vem certa. Pegue a mesma tarefa, escreva-a em duas ou três embalagens diferentes (Markdown, XML, YAML — e nos dois idiomas, se fizer sentido), rode cada uma umas dez vezes e conte. É meia hora de trabalho e responde melhor que qualquer ranking genérico, inclusive o meu. Três atalhos que o Bench já entrega: o XML cobrou de 28% a 45% mais tokens sem comprar acurácia nenhuma neste teste, então comece descartando-o se o custo importa; o efeito da embalagem é maior quando o prompt é denso em instrução do que quando é quase só dado bruto; e o idioma entra na mesma conta — o português custa cerca de 13% mais tokens que o inglês no mesmo formato, então ele compensa quando o ganho de acerto paga esse pedágio (no Sonnet 5, com +12,9 pontos, paga com folga; em outros modelos, não).

Modelos menores realmente performam melhor com boa engenharia de prompt?

Eles se aproximam dos grandes, não os igualam — e a palavra certa importa. Na validação de 2025, o Sonnet 4.5 saltou de 30% para 85% de compreensão só pela forma como a informação foi organizada com NTC, encurtando a distância para o topo (Gemini 2.5 Pro em 98,5%) sem empatar. No Prompthen Bench de 2026, o efeito reaparece por outra via: um Gemini 3.5 Flash-Lite, modelo minúsculo, empatou em segundo no grupo GRID (66,3%, junto do Gemini 3 Flash) com o thinking ligado. A forma como você comunica e configura o modelo importa tanto quanto o tamanho dele.

O NTC funciona com agentes de IA e automações?

Funciona, e é aí que a gente mais o usa. O NTC roda em todos os nossos fluxos com IA — agentes, automações, pipelines — como infraestrutura, não demonstração. Ele é o cache interno do nosso gateway de IA e a camada que densifica a memória do Exocortex, e toda compressão servida passa por um portão automático que a rejeita se não ficar entre 20% e 80% de redução preservando ao menos 90% das diretivas. Em fluxo automatizado a clareza importa ainda mais, porque não há um humano relendo cada instrução no meio do caminho; o modelo precisa entender de primeira.

Dá para a IA gerar NTC sozinha, não só entender?

Dá, e testei num estudo separado, com as transcrições salvas para reprodução. Foram 3 modelos Gemini, 9 traduções de linguagem natural para NTC, com qualidade média de 92%, 100% do código Python preservado literalmente e zero perguntas de esclarecimento. O buraco: em 22% dos casos (2 de 9) o modelo inventou propriedades que não estavam no input. Foi esse defeito que me levou a reescrever o prompt do tradutor (um v2 do prompt, não do NTC), o que subiu a qualidade de 9,2 para 9,4.

Como posso confiar nesses resultados?

Pela forma como foram medidos e pela abertura dos dados. O Prompthen Bench usa verificação determinística — comparação caractere a caractere contra gabarito calculado por código, sem juiz-modelo —, e os 90 prompts e o per_cell.csv com as 18.375 células individuais estão públicos no GitHub, permitindo recomputar qualquer número e rodar testes estatísticos pareados. Há controle de replicação: o Gemini 2.5 Pro foi rodado duas vezes e manteve o resultado (34,9% e 33,0%), o que mostra a estabilidade do método. As limitações estão declaradas: prompts curtos, 15 puzzles distintos, maioria de execuções n=1, um modelo ainda fora por quota. A validação de compreensão de 2025 é complementar, feita sem explicação prévia aos modelos para não depender de treino.

Boa engenharia de prompt substitui a revisão humana?

Não. Uma engenharia como o NTC é excelente em comunicar especificação e instrução com clareza, mas não valida a lógica ou a matemática do que você pede. Se a ideia por trás estiver errada, ela será comunicada com clareza mesmo assim. O Prompthen Bench reforça isso: em raciocínio puro, comunicar melhor não resolve o quebra-cabeça — quem decide é a capacidade do modelo, o thinking e o ambiente. A revisão humana continua parte necessária do processo: a engenharia de prompt afia a comunicação, não o julgamento.